Horóscopo

Trabalhei em um jornal em que a parte mais lida eram os signos. Esse horóscopo terá poucos leitores, espero que todos sejam bons amigos

8.11.09

Secuestro estilo camorra

Do: http://www.desdecuba.com/generaciony/

Cerca de la calle 23 y justo en la rotonda de la Avenida de los Presidente, fue que vimos llegar en un auto negro –de fabricación china– a tres fornidos desconocidos: “Yoani, móntate en el auto” me dijo uno mientras me aguantaba fuertemente por la muñeca. Los otros dos rodeaban a Claudia Cadelo, Orlando Luís Pardo Lazo y una amiga que nos acompañaba a una marcha contra la violencia. Ironías de la vida, fue una tarde cargada de golpes, gritos y malas palabras la que debió transcurrir como una jornada de paz y concordia. Los mismos “agresores” llamaron a una patrulla que se llevó a mis otras dos acompañantes, Orlando y yo estábamos condenados al auto de matrícula amarilla, al pavoroso terreno de la ilegalidad y la impunidad del Armagedón.

Me negué a subir al brillante Geely y exigimos nos mostraran una identificación o una orden judicial para llevarnos. Claro que no enseñaron ningún papel que probara la legitimidad de nuestro arresto. Los curiosos se agolpaban alrededor y yo gritaba “Auxilio, estos hombres nos quieren secuestrar”, pero ellos pararon a los que querían intervenir con un grito que revelaba todo el trasfondo ideológico de la operación: “No se metan, estos son unos contrarrevolucionarios”. Ante nuestra resistencia verbal, tomaron el teléfono y dijeron a alguien que debió ser su jefe: “¿Qué hacemos? No quieren subir al auto”. Imagino que del otro lado la respuesta fue tajante, porque después vino una andanada de golpes, empujones, me cargaron con la cabeza hacia abajo e intentaron colarme en el carro. Me aguanté de la puerta… golpes en los nudillos… alcancé a quitarle un papel que uno de ellos llevaba en el bolsillo y me lo metí en la boca. Otra andanada de golpes para que les devolviera el documento.

Adentro ya estaba Orlando, inmovilizado en una llave de kárate que lo mantenía con la cabeza pegada al piso. Uno puso su rodilla sobre mi pecho y el otro, desde el asiento delantero me daba en la zona de los riñones y me golpeaba la cabeza para que yo abriera la boca y soltara el papel. En un momento, sentí que no saldría nunca de aquel auto. “Hasta aquí llegaste Yoani”, “Ya se te acabaron las payasadas” dijo el que iba sentado al lado del chófer y que me halaba el cabello. En el asiento de atrás un raro espectáculo transcurría: mis piernas hacia arriba, mi rostro enrojecido por la presión y el cuerpo adolorido, al otro lado estaba Orlando reducido por un profesional de la golpiza. Sólo acerté a agarrarle a éste –a través del pantalón– los testículos, en un acto de desespero. Hundí mis uñas, suponiendo que él iba a seguir aplastando mi pecho hasta el último suspiro. “Mátame ya” le grité, con la última inhalación que me quedaba y el que iba en la parte delantera le advirtió al más joven “Déjala respirar”.

Escuchaba a Orlando jadear y los golpes seguían cayendo sobre nosotros, calculé abrir la puerta y tirarme, pero no había una manilla para activar desde adentro. Estábamos a merced de ellos y escuchar la voz de Orlando me daba ánimo. Después él me dijo que lo mismo le ocurría con mis entrecortadas palabras… ellas le decían “Yoani sigue viva”. Nos dejaron tirados y adoloridos en una calle de la Timba, una mujer se acercó “¿Qué les ha pasado?”… “Un secuestro”, atiné a decir. Lloramos abrazados en medio de la acera, pensaba en Teo, por Dios cómo voy a explicarle todos estos morados. Cómo voy a decirle que vive en un país donde ocurre esto, cómo voy a mirarlo y contarle que a su madre, por escribir un blog y poner sus opiniones en kilobytes, la han violentado en plena calle. Cómo describirle la cara despótica de quienes nos montaron a la fuerza en aquel auto, el disfrute que se les notaba al pegarnos, al levantar mi saya y arrastrarme semidesnuda hasta el auto.

Logré ver, no obstante, el grado de sobresalto de nuestros atacantes, el miedo a lo nuevo, a lo que no pueden destruir porque no comprenden, el terror bravucón del que sabe que tiene sus días contados.

6.11.09

A candidatura de Marina

Eu e Bernardo iniciamos uma discussão via comentários sobre a candidatura de Marina. Para não ficar parecendo um bate-boca, decidi escrever algo sobre o que penso das eleições presidenciais do ano que vem.

Durante o Governo Fernando Henrique Cardozo, eu fazia parte de uma minoria entre os meus amigos que via coisas muito positivas na gestão tucana. Da mesma maneira, vejo muitas coisas boas nos oito anos de Lula. Não diria que sou defensor de nenhum dos dois presidentes, mas é evidente que foi um salto enorme para quem vinha de Ditadura, Sarney e Collor.

O debate político no Brasil estava meio estagnado. O tempo que passei, entre 2007 e 2008, em Brasília foi justamente um momento de total falta de esperança. Após o mensalão, as denúncias de corrupção continuavam a aparecer e já eram acompanhadas pela mídia com uma certeza de que tudo terminaria em pizza. Ao mesmo tempo, ideologicamente o debate foi ficando cada vez mais ralo.

O PT fez um Governo de coalizão com a direita. Perdeu seus quadros ideológicos: Marina, Paulo Rubem, Chico Alencar. A oposição demorou para conseguir um discurso que realmente pegasse. A questão ética, que foi a grande aposta, naquele fim do primeiro Governo Lula, acabou não sendo suficiente para diminuir a popularidade do presidente.

Para onde iríamos? Teve uma hora, sinceramente, que cansei de achar que o problema do Brasil é simplesmente a roubalheira. Como é que vai se enfrentar a corrupção com uma mídia desqualificada e um sistema jurídico completamente viciado?

A candidatura de Cristovam Buarque cantou uma pedra. Vamos voltar à Educação.

Honestamente, é a questão que eu mais elogio no Governo Lula. Por ter voltado a fazer investimento nas universidades públicas. O Prouni é uma grande falácia, pois as faculdades particulares são péssimas, mas é uma oportunidade que milhares de jovens estão tendo e especialmente no Nordeste e em regiões pobres tem seu valor. Digo isso com toda a experiência de quem tem ao lado na minha sala pessoas que honestamente eu imagino que não seriam hoje bons jornalistas sem esse programa.

Mas falta muito para ser um ponto fundamental deste Governo.

Os fundamentos da economia, e ai vai ser uma discussão eterna, vieram do Governo do PSDB. Lembro que conversei muito sobre isso com Paulinho. Ele, assessor do Ministério da Fazenda durante a segunda gestão FHC, dizia que Lula não saberia superar a crise no mercado de ações e tals. Eu dizia exatamente o que digo até hoje, ele fará mais do mesmo e vai tudo acabar se normalizando.

Enfim, chegou a um ponto que os próprios tucanos (Armínio Fraga!) reclamam dos juros altos.

Não tenho certeza ainda do meu voto em Marina no ano que vem. Mas acho que dificilmente uma candidatura me fará ter tanta vontade de discutir a política brasileira como o que tenho sentido a partir dessa perspectiva.

Quer dizer, via cada vez mais o Brasil com um sistema partidário semelhante ao dos Estados Unidos. Os democratas e os republicanos, que têm exatamente o mesmo discurso, e discordam em questões éticas ou relativas a setores específicos. Aqui, é piorado porque os lobistas que vivem em Brasília não têm carteirinha de profissional, mas têm mandato parlamentar.

Como tratar com a bancada ruralista? O que sei é que a política de aliança implementada pelo Governo Lula não deu certo. Eles são um grupo que têm compromisso primeiramente com o grupo econômico que representam. E assim é também com os representantes das igrejas protestantes, com os defensores de conglomerados educacionais privados, das entidades pseudo-beneficientes...

Espero que Marina vá para o pau. Tenho conciência de que isso pode significar uma decisão que vá trancar a pauta no Congresso e possivelmente impossibilitar a realização de uma gestão bem avaliada. Mas é o processo histórico. Têm enfrentamentos que precisam ser realizados, mesmo que sejam infrutíferos neste momento. Agora, eu não sei se é isso que aconteceria numa hipotética gestão do Partido Verde.

O que sei é que quando ela saiu do PT e começou a receber as críticas, de gente que a acusava de estar sendo financiada pela oposição, eu sonhei que ela procurasse o P-Sol para uma aliança. Foi o primeiro movimento político que ela fez e me parece ser uma estratégia boa eleitoralmente e politicamente para ambos os partidos e especialmente rica para o País, por criar uma terceira via com um discurso realmente dissociado do que vem sendo falado pelos grupos majoritários politicamente no Brasil.

4.11.09

Para Edilson Silva, aproximação entre Marina Silva e PSOL tira a paz de Zé Dirceu

POSTADO ÀS 09:48 EM 04 DE Novembro DE 2009

Por Edilson Silva

Está lá no blog do Zé Dirceu: “Marina candidata dá adeus à coerência. Ao aliar-se ao PSOL, a senadora Marina Silva (PV-AC), presidenciável de seu partido, coloca-se na oposição radical não só ao governo Lula, como ao PT. Rompe, assim, totalmente com o seu passado e revela o caráter não programático de sua candidatura (...)”.

O posicionamento de Zé Dirceu se deu logo após declarações de Marina Silva à imprensa afirmando que busca apoio do PSOL à sua candidatura. Não vamos aqui discutir a autoridade de Zé Dirceu para tocar no tema coerência.

O capo do PT, ao acusar o golpe preventivamente, dá por tabela um recado curto e grosso: a candidatura de Dilma Roussef treme diante da possibilidade de aliança entre Marina Silva e o PSOL, cujo símbolo junto ao povo é a futura senadora por Alagoas, Heloisa Helena. Ele sabe que o resultado da química entre estes dois pólos pode ser muito maior do que uma simples soma de percentuais em pesquisas de intenção de voto, e que pode ter desdobramentos pós-eleitorais nada animadores para ele e sua forma condenável de fazer política.

Mas, obviamente, o objetivo do líder petista ao voltar suas baterias contra Marina Silva e o PSOL não é dar este aviso ao mundo e demonstrar esta fraqueza, o que seria um desserviço ao seu campo político. Sua declaração tem outros objetivos: por um lado provocar Marina Silva ou seus interlocutores para que desmintam a afirmação de que sua candidatura é de oposição radical ao governo Lula e ao PT, e por outro tentar amarrar a base eleitoral e militante do PT, acusando Marina Silva de rompimento com seu passado, trazendo a idéia de abandono e traição.

Zé Dirceu está preocupado em ganhar a eleição de 2010, mas está preocupado também com a manutenção da musculatura militante do PT e da ex-esquerda que ele representa. Ao tentar arrancar declarações de Marina Silva contra a “oposição radical a Lula e o PT”, tenta transformar o potencial diálogo entre esta e o PSOL numa torre de Babel.

Zé Dirceu pode ser tudo, menos burro. Ele está disputando o perfil da candidatura de Marina Silva, que com seu simples gesto mais à esquerda gerou esta inquietação na cúpula petista. Que venham mais gestos nesta direção por parte de Marina Silva e que ninguém do lado de cá caia nas provocações primárias de Zé Dirceu. A reorganização de uma esquerda autêntica, coerente e com força política, agradece.

PS: Edilson ( www.twitter.com/EdilsonPSOL ) é presidente do PSOL-PE e membro da Direção Executiva Nacional do PSOL.

PS2: Nunca postei nada de Edilson, mas esse artigo achei extremamente coerente.

3.11.09

Uma difícil (e importante) aliança

Quando surgiu a possibilidade de uma candidatura de Marina Silva pelo PV fiquei achando que a maior dificuldade seria a da candidata lidar com um partido sem identidade ideológica.

O Partido Verde tem um discurso que o une: a questão ecológica. Fora isso, é formado por aglomerados regionais. Um mini PMDB, que tem oposicionistas pela Esquerda (Gabeira), pela Direita (Daniel Coelho) e talvez uma maioria que tenha certa identidade com o Governo Federal (o filho de Sarney).

Marina entra e começa a se colocar como possível candidata e seu primeiro movimento é buscar uma aliança com o P-Sol. Para mim, é uma demonstração de maturidade e competência dessa pequena mulher acreana. Resta saber se Chico Alencar e companhia terão condições de dar uma resposta à altura.

O P-Sol, ao contrário do que diz Zé Dirceu e do que gostam de dizer os seus militantes, nunca fez uma oposição radical. No Congresso Nacional, não foram poucas as vezes em que os parlamentares do partido assumiram uma posição favorável ao Governo.

Até sua marca mostra o que eles são realmente. O Sol é uma estrela. Por sinal, a nossa. Não é Marte, que na calada da noite nos engana e chegamos a pensar que seja a maior de todas. Uma delas.

É um grupo que se identifica com os mesmos princípios que formaram o Partido dos Trabalhadores, mas que em certo momento disse um basta. Não conseguiram mais conviver com as incoerências do exercício do Poder pelo Governo Lula.

Não vão faltar adversários para essa aliança. Com certeza, a maior chance de Marina Silva ganhar o que mais lhe faltaria em sua candidatura, uma base ideológica e de militantes com disposição para o trabalho político.

Pode ficar preocupado Zé Dirceu. De minha parte, gostaria de ver também o campo de esquerda do PDT nessa discussão da candidatura do PV. Mas acho que esses dois partidos juntos já podem fazer com que o nível das eleições de 2010 suba muito, muito mesmo.

Fico feliz de imaginar. Chico Alencar e Marina no Rio. Ivan Valente e Marina em São Paulo. Nosso vereador do Greenpeace e Marina no Ceará. A filha de Tarso Genro e Marina no Rio Grande do Sul (essa união é mais engraçada e surreal!). Heloisa e Marina nas Alagos também. Faz parte.

Essa aliança não é importante somente para o PV, é principalmente o teste de fogo do P-Sol. Vejamos se eles conseguem traçar um caminho diferente do que era o PT e mais ainda do que é atualmente o partido onde eles fizeram a maior parte das suas vidas políticas.

DO BLOG DE ZÉ DIRCEU: ALIANÇA PV-P-SOL PREOCUPA PETISTAS

Marina candidata dá adeus à coerência

Ao aliar-se ao PSOL, a senadora Marina Silva (PV-AC), presidenciável de seu partido, coloca-se na oposição radical não só ao governo Lula, como ao PT. Rompe, assim, totalmente com o seu passado e revela o caráter não programático de sua candidatura. Suas alianças irão do PSOL ao PSDB, passando pelo DEM.

Rompe com sua história, repito, e com questões que ela tanto criticou, como a busca dos partidos por alianças para obtenção de maior tempo de campanha na TV e aproximações com o empresariado, que ela está adotando.
Saiu a campo em defesa da adoção de regras claras para a pré-campanha na legislação e critica aparições da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff em eventos e ações do governo federal no período pré-eleitoral.

Marina considerou como campanha, a viagem de inspeção do presidente Lula e da ministra às obras de transposição do rio São Francisco, mas sobre a presença de outros dois presidenciáveis nessa viagem, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), não fala nada (nota abaixo).

Tentativa viola direitos do presidente e da ministra

É risível esse aval que a pré-candidata presidencial do PV, senadora Marina Silva (AC), dá às acusações do PSDB-DEM sobre o caráter eleitoral das inaugurações ou vistorias (post acima).

O fato é que os governadores e todos os prefeitos - dentro do prazo legal - além de governarem, não têm nenhum impedimento legal para visitar e inaugurar obras. Nem Marina os cobra por isso, só ao presidente da República e à ministra Dilma Rousseff.

Essas tentativas de cercear a ação governamental do presidente da República e da Chefe da Casa Civil é que são uma violação do direito deles. Uma tentativa de cercear a ação legal do chefe do governo e da ministra pré-candidata.
Afinal, os adversários de Lula e de Dilma, os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves fazem o mesmo em seus Estados e, também, no próprio Nordeste como é público e notório.

2.11.09

Tarefas para o Brasil olímpico

26 de outubro de 2009

artigo : Aldemir Teles // Mestre em Neurociências
aldemirteles@uol.com.br

O Brasil conquistou, finalmente, o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, após várias candidaturas frustradas. A primeira candidatura ocorreu para os Jogos de 1936, que não obteve nenhum voto, depois para os Jogos de 2004 e 2012. Além do ineditismo de sediar os Jogos pela primeira vez na América do Sul, o Rio de Janeiro será a terceira cidade a receber a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos em um prazo de dois anos. As outras cidades são México, que recebeu os Jogos em 1968 e o Mundial de 1970, e Munique com a Olimpíada em 1972 e a Copa de 1974. A importância dos Jogos Olímpicos não se resume ao espetáculo esportivo capaz de atrair bilhões de espectadores. Os Jogos celebram a convivência harmoniosa entre os povos, através da linguagem universal da beleza atlética e simbolizam um apelo à continuidade do processo civilizador.

A vitória brasileira sobre as cidades concorrentes, com reconhecido poderio econômico, desenvolvimento social e forte tradição cultural, Chicago, Tóquio e Madri, valorizou ainda mais a nossa conquista. Subimos ao pódio onde poucos acreditavam que essa façanha pudesse acontecer agora. Dentre os motivos que nos levaram à conquista destacam-se: o bom momento da economia brasileira e as garantias de investimento do governo, cerca de 29,5 bilhões de reais, o trabalho competente de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), do Ministro dos Esportes Orlando Silva e a perspectiva de descentralização sócio-geográfica, um passo importante para a universalização dos Jogos. Aspectos sentimentais, como a simpatia que os brasileiros despertam mundo afora também podem ter contribuído. Então deu Rio de Janeiro, Brasil. Nada mal para o “último país alegre do mundo”, na opinião do filósofo português Manoel Sérgio ou no dizer do sociólogo italiano Domenico De Masi – “em nenhum outro país do mundo a sensualidade, a oralidade, a alegria e a ‘inclusividade’ conseguem conviver numa síntese tão incandescente”.

Mal terminada a festa e passada a ressaca vamos retornar à realidade. “Sim, nós podemos”, essa é a frase do momento. Nós podemos mesmo? Se não fosse o prazo para a realização do evento, diria que fomos pegos de calça curta. Investimentos e infraestrutura à parte quero referir-me a nossa futura participação. Há tempo carecemos de uma política de esportes consistente, com objetivos claros e prioridades bem definidas. A finalidade primeira para uma nova política de esportes deveria consistir no fomento da cultura esportiva para toda a população, que possa se constituir em importante fator de desenvolvimento social. Talvez esse deva ser o principal legado das Olimpíadas 2016. Considero pouco provável que o desenvolvimento pleno de uma nação possa ocorrer sem investimentos na consolidação da cultura do esporte. Tornar-se uma potência olímpica não deveria ser prioridade, mas poderá ser a consequência natural de uma política bem conduzida. Além do esporte espetáculo, dirigido para potenciais consumidores, fomentar a cultura do esporte significa universalizar a prática esportiva, começando pela escola, a fim de assegurar a formação integral dos jovens e que atenda integralmente os preceitos constitucionais, que asseguram a prática esportiva como um direito de todos os cidadãos e a sua promoção um dever do Estado. A Constituição considera três manifestações do esporte a serem contempladas: o escolar, o de participação e o de rendimento.

Vale lembrar o estudo do IPEA sobre a eficiência da participação dos países nas Olimpíadas de Beijing, 2008. O Brasil obteve 3 medalhas de ouro, 4 de prata e 8 de bronze, mas de acordo com o nosso potencial, deveria ter conquistado 20 medalhas de ouro, 18 de prata e 26 de bronze. Dessa forma teríamos conquistado a 6ª. colocação e nao a 20ª no quadro de medalhas. A avaliação considera a riqueza econômica do país, o tamanho da população e a esperança de vida ao nascer. O estudo revela, enfim a discrepância entre viabilidade econômica e a efetividade da política de esporte.

A contagem regressiva já começou. Os atletas que representarão o Brasil já estão em atividade, a maioria tem entre 10 e 20 anos. Alguns nomes já são conhecidos e certamente representarão o país em 2016, outros serão revelados. Mãos à obra!

28.10.09

Quem faz o Pacto pela Vida?

Na última segunda-feira, tive a infelicidade de cruzar com um veículo que tinha na sua traseira aquela tradicional propaganda do Pacto pela Vida. Fiquei olhando ali insistentemente. Na manhã seguinte, me lembro de notar o nome Polícia Comunitária na farda de um militar, quando fui informar o ocorrido na Diretoria Geral de Operações do Quartel do Derby.

Me considero amigo do sociólogo José Luiz Ratton, idealizador dessa política que vem sendo implementada pelo Governo do Estado. Mais que isso, divido com ele o interesse pelos estudos da Segurança Pública, especialmente quando se fala da cobertura policial da mídia.

Demorei a perceber que precisava colocar para fora a sensação que tive naquela noite terrível para mim. Me parece que um esforço tremendo e investimentos vultuosos pouco terão resultado se não tivermos efetivamente uma política de capacitação, mas principalmente fiscalização e controle de quem atua na área de Segurança e de como são efetuados os investimentos.

Estava na faixa de velocidade da Estrada da Batalha, por volta das 18h30, quando vi um veículo tentando me ultrapassar. Sinalizei e abri para a direita, nesse mesmo momento uma Ecosport da Polícia Militar que vinha em alta velocidade cortou pela direita o veículo que vinha atrás do meu e acertou em cheio meu carro. Ainda tentei livrar para perto da calçada, mas o policial manteve a velocidade para tentar me ultrapassar.

De início nem entendi o ocorrido. Olhei o retrovisor, vi que tinham dois carros na faixa de velocidade. De repente, aquele que estava atrás me acerta em cheio quando estava deixando eles passarem. Só vim entender quando um rapaz que estava na parada de ônibus veio me ajudar a diminuir a culpa (naquela hora uma amiga que estava no banco de passageiro, e recebeu todo o impacto da batida na porta do meu carro, estava feliz de ter sobrevivido): “já tinha notado o carro em velocidade, cortando todo mundo, desde que ele saiu do engarrafamento ali da Barreto de Menezes”.

Fui falar com o policial. “Isso ai qualquer um vai falar. É só ver um intermitente ligado, que a população já acha que o veículo está em alta velocidade”. Minha irritação aumentaria com a explicação da pressa dele, “minha hora de largar é 19h, tinha pouco menos de uma hora para chegar lá”. E principalmente ao ver que ele tentou manipular os agentes do Instituto de Criminalística e da Polícia para fazerem uma perícia irreal.

Explico. Ao bater, o policial deixou o carro seguir uns 20 metros e estacionou sobre a calçada. Parei no local da batida, dei primeira, ia estacionar do lado, mas ele mandou eu parar na faixa de rolamento. Quando chegaram os peritos queria dizer que o acidente tinha sido ali, dizendo que eu tinha trancado ele contra a calçada. As marcas de borracha do pneu da Ecosport estavam marcadas no local do acidente. Espero ansioso os resultados da perícia, tenho impressão que uma será feita para inocentar o motorista infrator e certeza de ter mostrado para ambas as equipes as marcas no local.

Escrevo não para ter recuperado os R$1.148,14 do conserto do meu carro. Honestamente, não sei nem se um policial tem um salário bom o suficiente para correr o risco de ter de pagar uma Ecosport. Sei que ele me pediu o celular emprestado para solicitar a vinda da perícia, talvez estivesse sem crédito. Tenho certeza que eu, jornalista, com dez anos de formado, que exerço cargo de chefia na segunda maior cidade do Estado, não gostaria de estar na pele dele. Nisso, a segunda questão. Por que comprar um veículo caro, de difícil manutenção e frágil para a Polícia Militar. Incrível, voltei dirigindo meu Palio para casa, ele ficou esperando o reboque!

Demorei para escrever. Não queria correr o risco de chatear um policial militar. Depois me lembrei, estava no Palácio do Campo das Princesas quando o prefeito Elias Gomes e o governador Eduardo Campos decidiram que Prazeres seria a maior localidade a receber o Governo Presente. Justo onde ocorreu o acidente.

Acompanhei diversas visitas do governador a Brasília, como repórter de uma agência de notícias. Vejo Eduardo Campos sempre de passagem. Primeiro porque moro desde criança em Casa Forte, mais recentemente porque nossos filhos estudam na mesma escola. Essa foi a primeira e única vez que ele veio conversar diretamente comigo, perguntou o que achava da decisão. Particularmente, ainda estava meio em dúvida se a decisão certa não seria priorizar Cavaleiro.

Escrevo isso aqui como forma de responder ao governador. Cada vez tenho mais certeza que Prazeres precisa realmente do Governo Presente. E pode contar comigo, não vou me omitir quando for preciso trabalhar pelo Pacto pela Vida.

Eduardo Amorim
Coordenador de Jornalismo da Prefeitura de Jaboatão

24.10.09

Orçamento de R$25 bilhões já é pouco?

Com o apoio do Comitê Olímpico Brasileiro, foi aprovada a inclusão de golfe e rúgbi como modalidades olímpicas para 2016. Isso vai aumentar o número de aparelhos esportivos para os Jogos do Rio.

As opções que estão sendo destacadas são o estádio do Vasco da Gama, São Januário, e um clube de golfe (Itanhangá ou Gávea). Portanto, o projeto do Governo Federal, que já prevê mais de R$ 25 bilhões em gastos para o evento terá de incluir mais dois pontos.

Por ser torcedor do Vasco no Rio (meu pai era fanático vascaíno), conheço bem o estádio de São Januário. Não tem estacionamento, muito menos metrô, tem acesso por ônibus. As ruas dos arredores ficam completamente engarrafadas em dias de grandes clássicos e a área é extremamente perigosa.

Ficamos pensando sobre a segurança nos arredores do Maracanã, depois desses incidentes na Vila Isabel, mas São Januario é uma área que está fora da prioridade dos planos de segurança mostrados até agora pelo Governo Federal e do Estado.

Sou plenamente a favor do investimento no estádio do Vasco. Acho que é uma obra que vai beneficiar uma população enorme de torcedores, quando as Olimpíadas acabarem. Fora os moradores dos arredores, que se orgulham do estádio do Vasco. Em 2008, São Januario ganhou o prêmio de 'Maravilha da Zona Norte', ficando em primeiro lugar numa votação para escolher as sete maravilhas da Zona Norte do Rio de Janeiro. O estádio, para quem não sabe, é dos mais antigos do Brasil, tem sua fachada tombada pelo patrimônio histórico e realmente precisa de amplas reformas. Foi inaugurado em 1927!



O rúgbi é um esporte muito popular em diversos países, mas acredito que não seria prejudicial se o projeto passar por uma redução do número de lugares, com implantação de cadeiras em toda a sua capacidade. Também será necessário estudar o acesso (o da geral é caótico, lembra o dos Aflitos), além de áreas para estacionamento e alternativas de transporte coletivo eficiente para a área (corredor exclusivo de ônibus?!).

Espero que o golfe demande menos investimento, pois o Rugbi vai ser um investimento altíssimo. Minha sugestão é que, a partir de agora, já começamos a sugerir que algum outro investimento seja cortado para cobrir o que será necessário fazer para investir nessa nova demanda.

Não podemos começar a aumentar a conta por uma inclusão feita posteriormente ao projeto entregue pelo Brasil.

23.10.09

Olimpíadas no Rio de Janeiro


Faz tempo que queria escrever sobre as Olimpíadas no Rio. Fui mais um dos brasileiros que acordou naquele dia e chorou ao ver o vídeo de propaganda.

http://www.youtube.com/watch?v=9Wrm0KI3XlY

É evidente que tem vários motivos que me fazem saber que o tema me emociona. Sou apaixonado pelo Rio de Janeiro, tenho adoração pelo esporte de alto rendimento e sempre sonhei com o ambiente de pluralidade que se repete em grandes eventos esportivos e tem o ápice há cada quatro anos.

No dia da vitória, fiquei pensando que queria transformar esse blog em um espaço somente de discussão da organização da Copa do Mundo e principalmente das Olimpíadas de 2016. É o trabalho que me imagino fazer com mais prazer. E espero me organizar para fazer isso com bastante profissionalismo no futuro.

Acabou que demorou para eu entrar no tema. Mas li algo no blog de Bernardo e decidi retomar agora.


Evidente que fico preocupado por todos os desvios de recursos que ficaram evidentes após a realização do Pan no Rio. Só que vejo mais pelos pontos positivos. Não o estádio que ficou, a rua pavimentada ou o cachorro quente vendido aos turistas.

Para mim, existem associações que virão futuramente, que estão implícitas no vídeo de Fernando Meirelles. O próprio fato do Rio agora vir a ser cidade olímpica é fruto direto do Pan ter mostrado que a violência urbana é séria, mas que não é insuportável.

Isso é um primeiro passo. O outro é Hommer Simpson comprar fruta na feira das Laranjeiras, ouvir samba na Vila Isabel, ver na TV incessantemente a beleza da Baia de Botafogo, se hospedar na Gloria porque os hoteis de Copacabana vão estar lotados e contar vantagem quando voltar para Wisconsyn.

Tudo bem. Ele pode até dizer que as cariocas são fáceis!? Mentir é parte do acordo. Mas vai também levar uma lembrança de um momento mágico em sua vida, que por gerações novos e novos Bart e Liza vão imaginar poder repetir.


E a dialética é verdadeira. O aprendizado passa também pelos vendedores de fruta se forçarem a vender o produto para os estrangeiros. Pelos jornalistas cariocas aprenderem a vender suas fotos para a imprensa européia. E por criar um hábito de defender nossa cultura fortemente, execrando as simplificações que são comuns em todo o mundo.

Afinal, mulher brasileira tem peitão. O Brasil é o País do voleibol. Música típica quem faz é a gauchada. A melhor comida brasileira é feita pelos italianos em São Paulo. Baiano é um povo sofrido e trabalhador. E o melhor carnaval do mundo é em Olinda. E quando isso tudo virar lugar comum vamos criar novas verdades.

A primeira tarefa com certeza é essa de agora. Cada um em seu papel de eleitor, jornalista, político ou engenheiro exigir que a construção do projeto Rio 2016 seja feito diante de novos padrões de transparência, que não nos envergonhe diante do mundo e não roube as verbas do nossos caóticos sistemas de Saúde e Educação.

5.10.09

Anticristo


Um dos melhores filmes que já vi. Apesar disso, não indico para ninguém.

Entendo muito bem e tenho a memória fresca de todas as tuas dores.

A minha percepção do depressivo filme de Lars Von Trier foi de uma pós-depressão.

E no fim eu ri aliviado de ter deixado um bocado de coisas para trás.

Um filme de terror que tem uma coisa Woody Allen na forma de ver um casal.

Até agora estou querendo saber se quem me levou gostou do filme.

O que importa é que eu me saí bem e não te culpo.

E agradeço se você não me culpar pelo riso que soltei no fim da sessão.

2.10.09

Nova Suíça pernambucana

Ainda criança fui com toda minha família acampar na então virgem praia de Maracaípe. Quando era adolescente fiz um outro acampamento para me despedir de Muro Alto, quando começaram a ser construídos os caríssimos resorts naquele que é um dos mais bonitos pedaços de oceano de Pernambuco. Casei, tive um filho e passei a freqüentar a Pousada Porto Verde, em Porto de Galinhas.

Infelizmente, nestes 30 anos, a arrecadação de Ipojuca cresceu por conta do Porto de Suape e da mais conhecida praia pernambucana, mas os serviços continuam tão ou mais precários do que na minha época de criança.

Nos últimos anos, fui cansando dos engarrafamentos nas ruas de Porto, do esgoto que é jogado diretamente nas mais famosas piscinas naturais do Brasil. De vez em quando, troco o caos urbano e vou tomar minha água de coco na beira do mar de Japaratinga, em Alagoas. Passei a freqüentar mais a Pousada Doze Cabanas, do que a Porto Verde.

Como jornalista, só tive um contato mais profundo com a cidade de Ipojuca. Como assessor de imprensa da Comissão de Defesa da Cidadania, que na época era comandada pelos deputados Roberto Leandro e Betinho Gomes, passei para a repórter Bianca Carvalho, da TV Globo, uma das pautas mais chocantes que já tive conhecimento.

Os proprietários da maior parte das terras da cidade queriam impedir o Programa Luz Para Todos de atender uma comunidade rural instalada há quase um século no litoral ipojucano. Os meninos que estudavam à luz de candeeiro estavam perdendo a visão e mesmo assim os usineiros não liberavam a instalação dos postes.

Para mim, a reportagem ganhou um tom sentimental porque foi uma forma de homenagear a ironia e o sarcasmo do meu pai, Fred Albuquerque Maranhão de Amorim. Ele, que tinha no sangue a tradição canavieira de pernambuco, não concordava com muitas das práticas que eram praticadas pelos nossos ancestrais.

Denunciar a grilagem que era cometida, em pleno século XXI, pelos proprietários da Usina Salgado, foi uma volta aos princípios surgidos em minha família a partir da luta política do meu pai. Assim como para mim, teve um sentimento especial também acompanhar todo o processo de fechamento do Lixão da Muribeca, pois ali naquelas terras que eram do avô dele, meu pai me ensinou a respeitar e admirar o povo simples canavieiro de nosso Estado.

Esse debate surgido nos últimos dias em torno da divisão dos recursos de Suape me faz imaginar um questionamento. Como é que estão sendo geridos os recursos de Ipojuca? O ICMS das indústrias do pólo industrial é apenas uma parte dos recursos de Ipojuca. A cidade conta ainda com todo o ISS gerado pelos grandes hotéis e as dezenas de restaurantes de Porto de Galinhas, Serrambi, Muro Alto e Maracaípe. Sem falar nos milhões que foram investidos pelo Estado e União.

O povo da mais rica cidade de Pernambuco não pode ficar calado. É preciso haver mobilização social para exigir os melhores sistemas educacional e de saúde do Estado. Nem mesmo a tarefa de casa, que é manter limpas as praias que tantas oportunidades geram para os ipojucanos, está sendo cumprida. Nós, pernambucanos, que gostamos e freqüentamos aquele bonito pedaço do nosso litoral estamos atentos e não vamos ficar calados.

Salve Ipojuca. Recursos não faltam. Com a mesma população de Gravatá, Ipojuca tem ICMS per capita de R$2.051 e a antiga Suíça pernambucana recebe apenas R$77. É preciso haver controle social para que a Prefeitura transforme todo o investimento da União e do Estado, que agora rendem frutos financeiros, em bem estar para os ipojucanos e para todos os pernambucanos.

Eduardo Amorim é Coordenador de Jornalismo da Prefeitura de Jaboatão

www.horoscopo.blogspot.com

14.9.09

É tudo verdade



Li o livro de uma vez só. Textos curtos, cheios de informações interessantes da história recente do nosso Estado. A polêmica entre Antônio Lavareda e o autor, Ricardo Carvalho, é o menos importante. Na verdade acho meio sem razão usar o livro para acusar uma outra pessoa de ser incompetente. Mas li até o fim e achei desproporcional a reação do marketeiro ao texto.

A primeira história que me chamou a atenção foi a da cassação de Wilson Campos pela Ditadura Militar. O autor reproduz um texto de jornal da época em que fica clara a motivação da crise, uma negociata envolvendo o Cotonifício Moreno para tentar financiar uma campanha para Carlos Wilson. Engraçado é que até na campanha do ano passado para a Prefeitura de Jaboatão ficava sendo usado o argumento de que o deputado foi "perseguido" durante o Golpe.

Outra coisa que sempre me interessa, foi a formação da chapinha que elegeu Renildo Calheiros e companhia através da votação de Miguel Arraes. O livro todo é permeado por histórias de coragem da esquerda pernambucana pré-anos 90. Egydio Ferreira Lima, Oswaldo Lima, Cristina Tavares e companhia foram derrotados pelo ex-governador. Salvou-se Jarbas Vasconcelos, que acabou sendo forçado a ir para a União Pernambuco.

"La Amazonia no es un santuario inviolable"

JUAN ARIAS / SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ - Brasilia - 13/09/2009

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La antigua ministra de Medio Ambiente de Brasil (2003-2008) ha abandonado el Partido de los Trabajadores (PT) porque el presidente Lula da Silva no respaldaba sus "medidas drásticas" contra la deforestación de la Amazonia.

Marina Silva tiene una imagen frágil, que desmiente su biografía. Nacida hace 51 años en una familia pobrísima de seringueros (recolectores de caucho) trabajó desde niña en el campo como criada y fue analfabeta hasta los 15 años. Aprendió a leer en un convento, antes de dedicarse al sindicalismo y de convertirse en estrecha colaboradora del legendario ecologista Chico Mendes. Terminó doctorándose en Historia. Casada, tiene cuatro hijos (de 21 a 10 años). Silva ha pasado por una larga trayectoria política en el Partido de los Trabajadores (PT) sin perder fuerza en la defensa de sus ideas y sin que nadie la haya acusado jamás de corrupción. Su desembarco hace un mes en el Partido Verde, desde donde probablemente aspirará a la presidencia del país, ha causado un terremoto político.


La compañera que desafió a Lula

"Ha llegado el momento de crear una nueva estrategia para Brasil"
En su austero despacho en el Senado, Marina Silva se esfuerza en no lanzar ni el menor ataque contra Lula. Incluso responde con bromas a la acusación del presidente de que la campaña de Silva será "samba de una sola nota". "Está siendo generoso porque me brinda uno de los lemas de su propia campaña, que era, ese sí, de una sola nota: "Lula-la", se ríe. Sin embargo, la senadora tiene buen cuidado de referirse siempre al progreso de Brasil como "un proceso de los últimos 16 años", es decir, que se inicia con Fernando Henrique Cardoso y no con Lula.

Pregunta. ¿Qué ha cambiado en Brasil desde que llegó Lula?

Respuesta. Ha habido algunas conquistas importantes. Por ejemplo, relación con el equilibrio fiscal y a la estabilización de la moneda, lo que ha permitido atravesar la actual crisis con alguna tranquilidad. Con la llegada de Lula se produjo un cierto sobresalto, pero yo diría, como dato muy positivo, que la democracia esta ya consolidada y que hemos tenido avances notables en la agenda social. Brasil tenía índices de pobreza inaceptables y en los últimos años se han reducido en un 19%.

P. ¿Por qué se marchó usted del Gobierno Lula?

R. No sentía que tuviera el apoyo necesario para mantener las políticas medioambientales tal como fueron concebidas. Pasó a finales de 2007. En tres años, nuestro plan había conseguido disminuir la deforestación en un 57%, pero al no cumplirse otras directrices, en la Amazonia volvió el riesgo de que se volviera a reanudar la destrucción de la selva. Tomamos medidas drásticas, como prohibir el crédito a empresas ilegales, llevar a la cárcel no sólo al que destruía la selva, sino también al que plantaba, producía y exportaba. Se creó una gran tensión y tanto yo, como mi equipo, vimos que el Gobierno estaba dispuesto a derogar esas medidas.

P. Hay un gran debate sobre hasta dónde puede desarrollarse la Amazonia.

R. El término socio-ambientalismo, que significa integrar la protección de la selva con el desafío de promover la inclusión social, fue acuñado en la Amazonia a partir de la lucha de Chico Mendes. Para nosotros, los de la Amazonia, esa visión de la defensa del medio ambiente nunca fue interpretada en términos de conservar esa tierra como un santuario inviolable. Desde los inicios, todo el esfuerzo versó sobre cómo integrar medio ambiente y desarrollo económico en una misma ecuación, sabiendo que no es posible repetir con la Amazonia los errores que ya se hicieron con la Mata Atlántica (de la que queda sólo un 5%) o del Cerrado, (la meseta brasileña, cuya destrucción ha llegado ya al 50%). La Amazonia ha sido destruida en un 17%.

P. ¿Culpa a Lula del fallo de la política ambiental?

R. No se trata de personalizar. El problema de asumir la economía sostenible como estrategia es algo complicado que no existe todavía en ningún lugar del mundo y que ningún partido asume completamente. Lo que el Partido Verde y yo estamos haciendo es innovador y no podemos satanizar a los demás por no haberlo hecho aún. Lo que hay que criticar es que se siga perdiendo tiempo cuando ya es posible hacer que Brasil dé ese paso, porque reúne las mejores condiciones para ello.

P. ¿Mantendría usted la política económica del Gobierno Lula?

R. Los procesos son acumulativos. No existe espacio para procesos nihilistas en relación con lo ya conquistado. Existe un reconocimiento de que en los últimos 16 años Brasil consiguió el equilibrio fiscal y la estabilización de la moneda, junto con la gran innovación que introdujo Lula y que fue la cuestión de la distribución de renta. Todo ello debe ser preservado. Creo que tenemos espacios para mejorar, y que ya no existe el peligro de que se destruya todo lo que se fue construyendo en los últimos 16 años.

P. Tras el descubrimiento de nuevos yacimientos de petróleo y de gas en Brasil, se empieza a hablar de un cierto nacionalismo.

R. Brasil tiene una economía de mercado, abierta. Es legítimo que los países quieran usar sus recursos naturales en beneficio de su pueblo, lo que no significa que nos vayamos a cerrar como una isla. Hoy es imposible pensar en cerrar puertas al capital extranjero. Lo que pasa es que, a veces, algunas empresas extranjeras querrían actuar aquí con una flexibilización de la legislación ambiental que no tienen ni en sus propios países. Eso no puede ser.

P. Uno de los grandes retos de Brasil es la corrupción, que se ha incrustado en todas las instituciones, de forma alarmante.

R. Aún reconociendo que Brasil tiene problemas graves de corrupción no osaría decir que Lula no ha hecho nada a ese respecto. Él puso en marcha sistemas de control y amplió significativamente la capacidad de investigación de la Policía Federal. Cuando fui ministra de Medio Ambiente llevamos a la cárcel a 725 personas. Muchas de ellas eran servidores públicos. Sin la libertad de investigación dada a la policía por el Gobierno eso hubiese sido impensable. Si hoy la corrupción se ve más es porque se investiga más.

P. En una hipotética segunda vuelta en 2011, ¿daría usted sus votos a la candidata de Lula o al candidato socialdemócrata de la oposición?

R. No puedo hablar aun como candidata, pero creo que el debate debe ser sobre ideas y que la ética debe prevalecer. Yo nunca mentiría respecto a la honorabilidad de alguien para ganar unas elecciones. Y desde un punto de vista político, lo que creo es que si me presento será con la aspiración de llegar a esa segunda vuelta. Yo querría hacer algo parecido a lo que hizo el PT hace 20 años, cuando rompió con los partidos tradicionales. Ha llegado otra vez el momento de unir a todas las fuerzas, sociales, políticas, intelectuales del país, para crear una nueva estrategia para Brasil.

31.8.09

Leonardo Boff defende saída de Marina


Por Leonardo Boff

Erram os que pensam que a saida da senadora Marina Silva do PT obedeçe a propósitos oportunistas de uma eventual candidatura à Presidência da República. Marina Silva saiu porque possuía um outro olhar sobre o Brasil, sobre o PAC (Programa de Acelaração do Crescimento) do governo que identifica desenvolvimento com crescimento meramente material e com maior capacidade de consumo. O novo olhar, adequado à crescente consciência da humanidade e à altura da crise atual, exige uma equação diferente entre ecologia e economia, uma redefinição de nossa presença no planeta e um cuidado consciente sobre o nosso futuro comum. Para estas coisas a direção atual do PT é cega. Não apenas não vê. É que não tem olhos. O que é pior.

Para aprofundar esta questão, valho-me de uma correspondência com o sociólogo de Juiz de Fora e Belo Horizonte, Pedro Ribeiro de Oliveira, um intelectual dos mais lúcidos que articula a academia com as lutas populares e as Cebs e que acaba de organizar um belo livro sobre “A consciência planetária e a religião”(Paulinas 2009) Escreve ele:

“Efetivamente, estamos numa encruzilhada histórica. A candidatura da Marina não faz mais do que deixá-la evidente. O sistema produtivista-consumista de mercado teima em sobreviver, alegando que somente ele é capaz de resolver o problema da fome e da miséria – quando, na verdade, é seu causador. Acontece que ele se impôs desde o século XVI como aquilo que a Humanidade produziu de melhor, ajudado pelo iluminismo e a revolução cultural do século XIX, que nos convenceram a todos da validade de seu dogma fundante: somos vocacionados para o progresso sem fim que a ciência, a técnica e o mercado proporcionam. Essa inércia ideológica que continua movendo o mundo se cruza, hoje, com um outro caminho, que é o da consciência planetária. É ainda uma trilha, mas uma trilha que vai em outra direção”.

“Muitos pensadores e analistas descobriram a existência dessa trilha e chamaram a atenção do mundo para a necessidade de mudarmos a direção da nossa caminhada. Trocar o caminho do progresso sem fim, pelo caminho da harmonia planetária”.

“Esta inflexão era a voz profética de alguns. Mas agora, ela já não clama mais no deserto e sim diante de um público que aumenta a cada dia. Aquela trilha já não aparece mais apenas como um caminho exclusivo de alguns ecologistas mas como um caminho viável para toda a humanidade. Diante dela, o paradigma do progresso sem fim desnuda sua fragilidade teórica e seu dogma antes inquestionável ameaça ruir. Nesse momento, reunem-se todas as forças para mantê-lo de pé, menos por meio de uma argumentação consistente do que pela repetição de que “não há alternativas” e que qualquer alternativa “é um sonho”.

“É aqui que situo a candidatura da Marina. É evidente que o PV é um partido que pode até ter sido fundado com boas intenções mas hoje converteu-se numa legenda de aluguel. Ninguém imagina que a Marina – na hipótese de ganhar a eleição – vá governar com base no PV. Se eventualmente ela vencer, terá que seguir o caminho de outros presidentes sul-americanos eleitos sem base partidária e recorrer aos plebiscitos e referendos populares para quebrar as amarras de um sistema que “primeiro tomou a terra dos índios e depois escreveu o código civil”, como escreveu o argentino Eduardo de la Cerna”.

“Mesmo que não ganhe, sua candidatura será um grande momento de conscientização popular sobre o destino do Brasil e do Planeta. Marina Silva dispensará os marqueteiros, e entrarão em campanha os seguidores de Paulo Freire”.

“Esta é a diferença da candidatura Marina. Serra, do alto da sua arrogância, estimula a candidatura Marina para derrubar Lula e manter a política de crescimento e concentração de riqueza. Lula, por sua vez, levanta a bandeira da união da esquerda contra Serra, mas também para manter a política de crescimento e de concentração da riqueza, embora mitigada pelas políticas sociais”.

“Marina representa outro paradigma. Não mais a má utopia do progresso sem fim, mas a boa utopia da harmonia planetária. A nossa visão não é restrita a 2010-2014. Estamos mirando a grande crise de 2035 e buscando evitá-la enquanto é tempo ou, na pior das hipóteses, buscar alternativas ao seu enfrentamento.

É por isso, por amor a nossos filhos, netos e netas, temos que dar força à candidatura da Marina. E que Paulo Freire nos ajude a fazer dessa campanha eleitoral uma campanha de educação popular de massas”.

Digo eu com Victor Hugo:”Não há nada de mais poderoso no mundo do que uma idéia cujo tempo já chegou”.

PS: Leonardo Boff é teólogo e autor do livro Que Brasil queremos? Vozes 2000.

27.8.09

Alternativa Verde!

O deputado cassado José Dirceu escreveu artigo colocando uma interrogação após a expressão alternativa verde. Para ele, parece uma construção tucana travestida de “uma alternativa que apresente novo discurso e nova imagem que tentem sangrar o bloco popular liderado pelo presidente Lula e pelo PT”.

Uma filiação da ex-petista, fundadora do Partido dos Trabalhadores, referência internacional na luta pela Amazônia, nem se efetivou e já causa ansiedade em quem arquitetou todo o plano de domínio do poder do grupo paulista capitaneado pela dupla Lula-Dirceu, que agora vê em Dilma Roussef a imagem da continuidade desenvolvimentista.

O debate do Desenvolvimento Sustentável e da Ecologia não é mais uma temática. É o foco central de uma política que vem sendo construída desde a Década de 90 e ainda não ganhou corpo eleitoral aqui no Brasil.

Desenvolvimento sustentável é discutir o inchaço do Legislativo em todo o País. Colocar na pauta diária dos jornais a discussão do Orçamento Público. Esmiuçar os investimentos feitos para a Copa do Mundo de 2014 e para a implantação de coleta seletiva em uma pequena cidade nordestina.

Ecologia é o investimento em fontes alternativas de energia. Criar fontes de renda através da reciclagem para as populações pobres dos nossos grandes centros urbanos. Defender nossos parques, as reservas ecológicas e os campos de várzea dos subúrbios. E ter coragem política para enfrentar a necessidade de uma Reforma Agrária.

Muitos sonhos. Mas essas duas temáticas passam prioritariamente pela defesa da qualidade de vida da população brasileira.

Uma chapa encabeçada por Marina vai obrigatoriamente forçar a discussão do papel do PT no nosso País. Mas se ficar apenas nisso seria uma perda enorme de oportunidade. Para bom entendedor, a seringueira me parece muito mais opositora de uma candidatura tucana do que a mídia expõe. Ela significa uma defesa do princípio democrático, de uma política fraterna, que denuncia a mudança de legislação oportunista utilizada para reeleger FHC.

Como Obama representou o respeito a diferença. Marina é a encarnação da maternidade, no sentido da defesa dos direitos do próximo. E falo isso do alto da minha posição de pai, que luta pela igualdade dos direitos nesta que é a única fronteira em que as mulheres nos obrigam a engolir em seco sua superioridade.

”Seu papel nas batalhas pela emancipação de nossa gente lhe garante o direito de disputar qualquer função pública em nosso país”, diz o deputado cassado.

Também acredito no papel educativo que essa candidatura possa ter em novas eleições. Imagine nacionalmente uma candidatura que critique a poluição visual das eleições. Que, a exemplo da Obama, venha a fazer realmente da Internet um veículo primordial de sua construção.

Pensei nisso a partir do meu blog. Depois de anos sem muito debate, me lembrei da eleição Roberto Magalhães X João Paulo, quando começaram a haver trocas de impressões sobre as candidaturas ao se colocar a hipótese desta candidatura.

A primeira argumentação contrária do ex-presidente do PT é lembrando escolhas políticas de integrantes do PV. Mas será que depois de tantos dólares nas cuecas os petistas ainda não aprenderam que numa eleição o que se leva em conta são as boas possibilidades? Os defeitos podem dificultar alguns votos, mas todos sabemos que temos defeitos com todos os nossos esforços.

Marina pode até não se candidatar ou ficar pelo meio do caminho, mas uma candidatura dela teria tido um papel fundamental como tiveram o saudoso Partido dos Trabalhadores da Década de 80 e o PSDB de Mario Covas.

E não se engane companheiro José Dirceu. Sou um bom exemplo de quem lutou e acreditou no PT e dei meu primeiro voto a Lula. Hoje tenho três opções de voto para presidente: Marina, Serra ou Aécio. E muitos amigos estão na mesma situação.

Mauricio Rands acha que a culpa é de Lula. Vai entender. No meu espírito paternal, que não chega nem perto mesmo do que o de uma mãe, acho que os petistas têm mesmo de passar um tempo pensando. Não vai ser fácil eles se perdoarem por terem cassado José Dirceu e absolvido o outro Zé, Presidente.

25.8.09

Alternativa Verde?

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A história de Marina é um patrimônio do país e de nosso partido. A vida política, porém, é plena de armadilhas
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O VEREADOR carioca Alfredo Sirkis, dirigente do Partido Verde, começou o artigo nesta página do dia 9 de agosto ("A hipótese Marina") afirmando a legitimidade da causa ambientalista e da eventual candidatura presidencial pelo PV da senadora Marina Silva, que anunciou seu desligamento do PT na semana passada. São colocações com as quais estamos de pleno acordo. Mas, como tudo na política, devemos sempre averiguar os interesses que animam seus agentes.

Não paira nenhuma dúvida sobre o caráter, a biografia e os compromissos da senadora Marina Silva, companheira de tantas lutas e trincheiras. Senadora acriana, eleita pelo PT, construtora de nosso programa ambiental e ministra do governo Lula durante cinco anos.

A história de Marina é um patrimônio do país e de nosso partido. Ao lado de bravos companheiros como Chico Mendes, Jorge e Tião Viana, entre tantos outros, dedicou o melhor de sua vida para defender os povos da floresta e a causa ambientalista.
Cabocla, seringueira, Marina é o sal da terra. Seu papel nas batalhas pela emancipação de nossa gente lhe garante o direito de disputar qualquer função pública em nosso país.

A vida política, porém, é plena de armadilhas. Até os mais nobres e valorosos militantes podem ser arrastados a situações com as quais, no futuro, não concordem ideologicamente.

Os feitos recentes do PV no Rio, liderado por Sirkis, por exemplo, são bastante reveladores: o partido integrou todas as gestões do prefeito César Maia e contou com o apoio do DEM a Fernando Gabeira no segundo turno da eleição de 2008.
Essa conduta é partilhada pelo PV paulista, que faz parte da base de sustentação dos governos Serra e Kassab. Enfim, os setores do Partido Verde liderados por Sirkis e Gabeira não são uma voz progressista em busca de uma alternativa para aprofundar o processo de mudanças iniciado no Brasil em 2002, mas representantes minoritários do bloco conservador que dá tratos à bola para achar saída diante da desidratação político-ideológica da coalizão demo-tucana, à qual pertence com galhardia.
Analisemos os argumentos acerca da possível candidatura presidencial de Marina Silva. Sirkis apresenta essa hipótese como uma alternativa à "compulsória aliança das duas vertentes da social-democracia com as oligarquias políticas na busca da governabilidade", referindo-se a uma suposta e nefasta consequência da disputa entre PT e PSDB.

E vai além, ressaltando que "Marina é bem talhada para promover uma nova governabilidade (...) que, enfim, supere essa polarização bizarra". O vereador carioca redesenha a realidade, possivelmente para pavimentar a terceira via que propõe. O PSDB fez uma opção, há quase 15 anos, por ser o partido das elites financeiras, quando a transição conservadora entrou em colapso após o impeachment de Collor.

A velha direita, desgastada pela longa ditadura militar, não era mais capaz de protagonizar a engenharia do Estado neoliberal.

Esse foi o vácuo preenchido pelos tucanos, que se aliaram às velhas oligarquias do PFL-DEM para levar a cabo um programa de privatizações e desregulamentações que desmontou a economia do país e colocou em xeque a soberania nacional. Esse foi o papel exercido por FHC, cujo custo social o levou à derrocada em 2002.

O PT foi a vanguarda da mobilização contra esse programa. Quando o presidente Lula assumiu, mesmo em condições políticas precárias, pois minoritário no Congresso e às voltas com uma herança maldita, travou o programa tucano-liberal, interrompeu as privatizações e deu início à reconstrução do Estado como condutor de uma economia baseada na produção, no mercado interno e na distribuição de renda.

São, portanto, dois projetos antagônicos, inconciliáveis, cuja contraposição só pode ser considerada "bizarra" se forem outros os interesses que não o retrato da realidade. Muitos arautos conservadores se deram conta de que, no caso de não ser superada ou esmaecida a polarização entre os dois projetos, tudo indica que o condomínio PSDB-PFL terá ralas chances em 2010, naufragando outra vez com seu velho programa privatista.

Uma das possibilidades para tentar essa superação passou a ser a construção de uma alternativa que apresente novo discurso e nova imagem que tentem sangrar o bloco popular liderado pelo presidente Lula e pelo PT.

Esse é o esforço ao qual aparentemente se filiam setores do PV, em manobra que busca atrair os anseios legítimos e as contrariedades respeitáveis da companheira Marina Silva com a execução da agenda ambiental, que ela tanto ajudou a construir.

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JOSÉ DIRCEU DE OLIVEIRA, 63, é advogado. Foi ministro-chefe da Casa Civil (governo Lula) e presidente do PT. Teve seu mandato de deputado federal pelo PT-SP cassado em 2005.

24.8.09

Respondendo aos comentários sobre a saída de Marina

eu tinha lido. tá no terra tb.

admiro demais marina. mas acho que comete um erro de cálculo...
uma pena. perdem amboas, ela e o partido. diferentemente da saída de figuras como HH, que só fizeram bem ao partido! :P
BJ | Homepage | 08.20.09 - 10:50 am | #

Gravatar Concordo com sua saída, ela teve que engulir muito em seu período como ministra até culminar na sua saída do Governo. Digo que uma chapa dela com Cristóvam (algo já especulado), a chapa dos ex-petistas, pode trazer muitas surpresas para todos.
Tiago | 08.23.09 - 9:56 pm | #

Trabalhei para o PT. Era assessor de Paulo Rubem quando ele passou pela ruptura que Marina está vivendo agora. Hoje sou coordenador de Jornalismo de uma Prefeitura do PSDB. Quer dizer, minha opinião é cheia de vícios da minha experiência pessoal. Mas, incitado, estou querendo dizer algo sobre isso.

O Diario de Pernambuco de ontem trouxe uma reportagem importante sobre o tema. Dois ecologistas discordavam sobre a importância do fenômeno Marina, para a questão ecológica no Brasil. Vejam os textos no link abaixo.

http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/08/23/politica1_0.asp

Novamente, os vícios. Minha mãe atua, hoje em dia, como mobilizadora do Fórum pela Vida do Rio Tapacurá e trabalha ao lado de Ricardo Braga, na Sociedade Nordestina de Ecologia. Concordo com ele, as chances são pequenas de uma vitória da candidata, mas Dilma e Serra serão obrigados a discutir publicamente o Desenvolvimento Sustentável. É uma pontinha de esperança.

Seria fantástico ter uma chapa robusta de gente que fuja à dicotomia PSDB/PT. Por isso, concordo também com Tiago, na expectativa de uma chapa Marina e Cristovam Buarque. É a forma de forçar que esses partidos sejam empurrados a fugir da Ditadura dos sangue-sugas do Congresso (minha opinião é baseada na minha experiência de que existem pessoas competentes e honestas entre tucanos e petistas).

No fim, resta para meu espírito de sonhador a vontade de ver o P-Sol também participando de uma chapa como esta. Quem sabe com Heloisa Helena candidata ao Senado ou ao Governo do Estado de Alagoas. E, aqui em Pernambuco, a espectativa de Paulo Rubem forçar também uma terceira via na eleição polarizadíssima entre Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos.

No plano local, seria mais ou menos o que Elias Gomes significaria numa eleição ao Governo do Estado daqui há cinco anos. Ou seja, antecipar politicamente a vida política de Pernambuco em meia década.

Esse texto reflete minha humilde opinião, sem intenção nenhuma de chegar à verdade. E viva Foucault.

19.8.09

A CARTA DE MARINA

"Caro companheiro Ricardo Berzoini,

Tornou-se pública nas últimas semanas, tendo sido objeto de conversa fraterna entre nós, a reflexão política em que me encontro há algum tempo e que passou a exigir de mim definições, diante do convite do Partido Verde para uma construção programática capaz de apresentar ao Brasil um projeto nacional que expresse os conhecimentos, experiências e propostas voltados para um modelo de desenvolvimento em cujo cerne esteja a sustentabilidade ambiental, social e econômica.

O que antes era tratado em pequeno círculo de familiares, amigos e companheiros de trajetória política, foi muito ampliado pelo diálogo com lideranças e militantes do Partido dos Trabalhadores, a cujos argumentos e questionamentos me expus com lealdade e atenção. Não foi para mim um processo fácil. Ao contrário, foi intenso, profundamente marcado pela emoção e pela vinda à tona de cada momento significativo de uma trajetória de quase trinta anos, na qual ajudei a construir o sonho de um Brasil democrático, com justiça e inclusão social, com indubitáveis avanços materializados na eleição do Presidente Lula, em 2002.

Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores. É uma decisão que exigiu de mim coragem para sair daquela que foi até agora a minha casa política e pela qual tenho tanto respeito, mas estou certa de que o faço numa inflexão necessária à coerência com o que acredito ser necessário alcançar como novo patamar de conquistas para os brasileiros e para a humanidade. Tenho certeza de que enfrentarei muitas dificuldades, mas a busca do novo, mesmo quando cercada de cuidados para não desconstituir os avanços a duras penas alcançados, nunca é isenta de riscos.

Tenho a firme convicção de que essa decisão vai ao encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida.

Tive a honra de ser ministra do Meio Ambiente do governo Lula e participei de importantes conquistas, das quais poderia citar, a título de exemplo, a queda do desmatamento na Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental, a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro. Entendo, porém, que faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica, ou seja, de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do conjunto das políticas públicas.

É evidente que a resistência a essa mudança de enfoque não é exclusiva de governos. Ela está presente nos partidos políticos em geral e em vários setores da sociedade, que reagem a sair de suas práticas insustentáveis e pressionam as estruturas políticas para mantê-las.

Uma parte das pessoas com quem dialoguei nas últimas semanas perguntou-me por que não continuar fazendo esse embate dentro do PT. E chego à conclusão de que, após 30 anos de luta socioambiental no Brasil - com importantes experiências em curso, que deveriam ganhar escala nacional, provindas de governos locais e estaduais, agências federais, academia, movimentos sociais, empresas, comunidades locais e as organizações não-governamentais - é o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte pro quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o País. Assim como vem sendo feito pelo próprio Partido dos Trabalhadores, desde sua origem, no que diz respeito à defesa da democracia com participação popular, da justiça social e dos direitos humanos.

Finalmente, agradeço a forma acolhedora e respeitosa com que me ouviu, estendendo a mesma gratidão a todos os militantes e dirigentes com quem dialoguei nesse período, particularmente a Aloizio Mercadante e a meus companheiros da bancada do Senado, que sempre me acolheram em todos esses momentos. E, de modo muito especial, quero me referir aos companheiros do Acre, de quem não me despedi, porque acredito firmemente que temos uma parceria indestrutível, acima de filiações partidárias. Não fiz nenhum movimento para que outros me acompanhassem na saída do PT, respeitando o espaço de exercício da cidadania política de cada militante. Não estou negando os imprescindíveis frutos das searas já plantadas, estou apenas me dispondo a continuar as semeaduras em outras searas.

Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos

Saudações fraternas

Marina Silva"

20.7.09

A árvore de Julia no Sitio da Trindade


Estava ali por perto quando passou uma bicicleta de som fazendo propaganda. “A história da menina que subiu numa árvore para defender um bosque. Com o patrocínio da Prefeitura do Recife, no Sítio da Trindade”. Não gravei mais nada, fiquei absolutamente em choque. Como é que a mesma administração que propõe uma construção numa área histórica, um dos poucos pontos verdes da Zona Norte, consegue ter a ironia de patrocinar uma peça de defesa da ecologia naquele mesmo ambiente?

Já tive essa conversa com o secretário de Cultura do Município, Renato L, um colega jornalista de quem tenho as melhores referências possíveis. É o solo onde os portugueses construíram o Forte do Arraial do Bom Jesus, em 1630. Uma área verde que tem características únicas na Região Metropolitana do Recife. Um parque que reúne freqüentadores tanto da grande Casa Amarela, como de bairros elitistas como Casa Forte e Parnamirim. Local que vem sendo palco de importantes eventos culturais, como o São João.

É importante desfazer o mito de que o parque tem pouca utilização. A área onde a Prefeitura do Recife pretende construir a Refinaria Multicultural tem circulação restrita, pois é ocupada pela sementeira do Município. Poderia ser utilizada para visitas de estudantes, justamente para construir a cultura de respeito ao meio ambiente. Fora isso, o restante do parque é bastante freqüentado pela manhã, por pessoas que vão caminhar e para a Academia da Cidade, e à noite especialmente quando são realizados eventos culturais.

O que prejudica é a falta de organização. Nos fins de semana, por exemplo, mesmo com feira de orgânicos funcionando, o portão que dá para a Estrada do Encanamento permanece fechado, dificultando a entrada de quem vem de Casa Forte.

Fora isso, é a última área verde daquilo que era o pulmão recifense. A Prefeitura do Recife autorizou a construção de três condomínios de alto luxo no antigo Sítio José Donino. Toda aquela mata que ficava entre o Poço da Panela e o Rio Capibaribe, que servia como escoadouro das águas “de todo o Recife” será modificada. As aspas são de uma conversa que tive com uma arquiteta que atua na área de licenciamento da Prefeitura do Recife e que, por motivos óbvios, não vou identificar. As obras estão em pleno andamento e totalizam quase vinte prédios.

Sou morador de um prédio próximo ao Sítio da Trindade. A análise das águas do poço mantido pelo meu condomínio dá como resultado, até hoje, uma água mineral de excelente qualidade. A sementeira, contam os antigos moradores de Casa Amarela, era onde ficava uma fonte, em que muitos dos velhos moradores da Zona Norte pescavam. Hoje, o minador aparetemente secou. E mesmo os lençóis sofrem o risco de serem contaminados, já que o que era um córrego que se originava no Sítio da Trindade, virou um esgoto a céu aberto que passa pela comunidade de Ilha das Cobras, pelo Shopping Plaza e segue até o Rio Capibaribe.

Espero ter oportunidade de discutir esse tema com os representantes da Prefeitura do Recife. Além de jornalista, sou produtor cultural e admirador da política iniciada por João Roberto Peixe. Acredito que a Refinaria Multicultural é um bem enorme para a Zona Norte. Não podemos perder esse investimento. Até porque pouquíssimo foi feito na região em oito anos de João Paulo e seis meses de João da Costa. A minha pergunta é simples. Por que continuar desprezando áreas completamente sem utilização como a Fábrica da Macaxeira e tentar, insistentemente, criar outro Parque Dona Lindu do outro lado da cidade?

Ps: O espetáculo continua no próximo fim de semana (sexta, sábado e domingo), sempre às 19h.

7.7.09

O Sítio e a refinaria multicultural

Publicado no JC em 07.07.2009

Luiz Helvecio

luizh@hotlink.com.br

O povo pernambucano vem dando, ao longo da história, lições de bravura e de espírito cívico. Uma dessas memoráveis páginas foi escrita entre 1630 e 1635, quando, após a tomada do Recife pelos holandeses, o general Matias de Albuquerque iniciou a guerra da resistência, em um local denominado Arraial do Bom Jesus, com bravos pernambucanos, brancos, índios, negros escravos e mestiços de toda ordem.

Em 1635, após a chegada de novos reforços holandeses, os pernambucanos ficaram sitiados durante três meses e três dias, sendo obrigados a capitular em 6 de junho, pela falta de tudo que servia de sustento e de munição.

Em 1922, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano assinalou o local do primitivo Arraial Velho do Bom Jesus, erguendo no local uma pirâmide de granito, ainda hoje existente. Em 1958, durante o governo de Pelópidas da Silveira, toda a área foi desapropriada pela Prefeitura do Recife, com o objetivo de preservar a memória dos que lá tombaram na luta contra as forças invasoras.

Posteriormente, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional considerou todo o imóvel Monumento Nacional, consagrando-o como área de preservação rigorosa. Durante a administração do prefeito Gustavo Krause, decreto municipal passou a proteger também a área, instituindo a Zona de Preservação constituída pelo Sítio Histórico Sítio da Trindade-Arraial Velho do Bom Jesus, composta de uma Zona de Preservação Rigorosa (ZPR) e de uma Zona de Preservação Ambiental.

Está claro, pelos termos dos documentos acima citados, que as iniciativas da União e do município tiveram por objetivo a garantia da manutenção do bem cultural, permitindo às gerações futuras o conhecimento de um episódio importante de nossa história.

Apesar disso, nenhuma iniciativa existe ainda com o objetivo de se mostrar essa história para uma população que desconhece o que ali se passou. Muitos dos frequentadores do Sítio, inclusive, consideram que o nome Arraial Velho do Bom Jesus tem origem nas celebrações do ciclo junino que se realizam naquele espaço. Outro aspecto importante do Sítio é o do embelezamento da paisagem, da amenização climática e de todos os demais benefícios de um grande pulmão verde, que é representado pela arborização que toma conta da quase totalidade dos seus 4,6 hectares , grande parte constituída de árvores nativas.

Esse benefício ambiental assume uma importância maior ainda com a constatação de que a vegetação nativa do Recife representa, hoje, menos de 1% de sua cobertura nativa original e que o Recife possui menos da metade da quantidade mínima de árvores que deveria ter, conforme índices aceitos mundialmente. Ainda mais, um dos grandes desafios da humanidade no presente século é o combate ao fenômeno do aquecimento global, o qual precisa ser exercido com determinação, sob o risco de se comprometer a vida do homem na Terra.

Vale salientar que a região onde o Sítio está inserido continua a sofrer um forte processo de adensamento construtivo, com consequente destruição de quintais, impermeabilização do solo e aumento da temperatura na área. A Lei dos 12 Bairros não estende as suas restrições construtivas à área localizada à direita da Estrada do Encanamento, a partir da Rua Ferreira Lopes, o que vem possibilitando a aprovação de uma quantidade elevada de projetos de novas construções, a maioria de grande porte.

Pelas questões relacionadas acima, considero desinteressante para o Recife e sua população a decisão da Prefeitura do Recife de construir no local uma refinaria multicultural, com apoio financeiro do Ministério da Cultura e autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Alem de tirar o foco do evento histórico que ali aconteceu, a construção da refinaria no local ensejará a destruição de uma parte de sua área verde.

Vale salientar a importância da construção de uma refinaria multicultural, que proporcionaria oportunidades de inserção cultural a um número grande de jovens. Não podemos, no entanto, continuar agredindo o meio ambiente, sob os mais diversos pretextos.

Enquanto a história e a arborização do Sítio não podem ser transplantadas para outro local, a refinaria multicultural pode, sem qualquer prejuízo para o projeto. Eu mesmo sugeri ao então prefeito João Paulo, ainda em 2007, a construção da refinariano prédio onde existiu a antiga Fábrica da Macaxeira, na Avenida Norte.

É importante destacar, por fim, que devem, os que defendem e os que combatem a ideia, evitar, a todo custo, que a discussão se caracterize como uma quebra de braço entre oposição e situação, como ocorreu recentemente com a construção do Parque Dona Lindu, com o consequente empobrecimento do debate.

» Luiz Helvecio é engenheiro

5.7.09

A Banda de Joseph Tourton



Fui encontrar A Banda de Joseph Tourton durante a semana pré-carnavalesca. Eles não sabiam o nome da rua onde ensaiam, no tradicional bairro recifense das Graças. "Pega a Rua Amélia, entra pra direita na galeria e você vai ver uma grade preta", foi como me explicaram.

Quando achei o lugar eles estavam super animados com três shows marcados e toda a folia de Recife e Olinda para começar.No ensaio mais uma vez eles me surpreenderam. O som tem evoluído bastante desde a apresentação do Coquetel Molotov em 2008. Nada que se possa prever, pois os meninos são mesmo dessa geração de adolescentes que a Veja critica por absorver milhões de influências ao mesmo tempo. Algo novo no ar.

Gosto de um leve tom brega e do estilo jazzístico da banda tocar pensando no seu próprio prazer. Mas me peguei curtindo a diversão hardcore dos caras que vieram de duas bandas de "gritaria". Quando pensava que eles iam mostrar um pouquinho mais da veia hardcore, surpreenderam querendo criar um duo de instrumentos de sopro, feito por Lwide (um amigo que tem se tornado um sexto elemento da banda) e Antonio.

Recife lançou desde a década de 90 várias "melhores bandas de todos os tempos da última semana". No verão de 2008 para 2009, a julgar pelos críticos daqui e de revistas e sites nacionais essa responsabilidade ficou para os cinco meninos da Joseph Tourton. Se eles vão continuar vagando pela Internet, tocando para o mesmo público pernambucano ou se vão realmente conseguir ganhar a vida fazendo música e tocando pelo Brasil só o tempo dirá.

O rock instrumental de A Banda de Joseph Tourton se destaca por ser um som diferente dentro de uma safra boa que surgiu no Nordeste. Parece uma mistura de Hurtmold com Mombojó. Resta aos caras estudar, cada um se trancar para juntar suas influências ou se satisfazerem por ter um motivo para comer a gatinha da sala de faculdade. E parece que eles vão conseguindo fazer as pizzas chegarem mesmo sem saber o nome das ruas onde tocam.

Escalação:

Diogo Guedes (guitarra e efeitos)

Antonio Paes (percussão)

Pedro Bandeira (bateria)

Rafael Gadelha (baixo)

Gabriel Izidoro (guitarra, escaleta e flauta transversal)

Lwide (trompete) é o sexto elemento

Diogo e mais quem vieram do Psicopatas?

Antônio - Eu, Diogo e Pedro. E o resto era da Stage One.

O resto todinho?

Pedro - Esquece isso! Esquece isso. Deixa essa banda para lá. Sonora Stereo Lounge, Stage One mudou de nome

Antônio - Quer saber da história então anote. Esse foi um projeto que nunca chegou a rolar, mas ainda tá a marquinha lá no quarto.

E essas experiências trouxeram alguma coisa para vocês. Por que vocês me parecem uma banda com bagagem para a idade de vocês.

Antonio - Psicopatas valeu e Stage One também. Tínhamos 13 anos né, sei lá. Conta ai Diogo.

Diogo - Psicopatas valeu para caralho. Tocamos no Abril em 2002. Festival de Inverno de Garanhuns. Foi do caralho! Para mim, é um negócio que eu lembro quase todo dia de ter tocado no Abril com o Psicopatas e em Garanhuns também. A gente já tocava junto antes da Joseph Tourton, já era todo mundo meio entrosado. Todo mundo aqui sempre tocou, desde pirralho, e era só de improviso e isso ajudou a amarrar a galera.

Fiquei notando no último show da banda. Não sei se era a vibe daquela noite, aquele ambiente, a lua... Cada um de vocês olhando para um canto. Vocês não tocam para a platéia. E parece que gostam de tocar para caralho.

Gabriel - Na verdade é porque as músicas da gente requerem muita observação um do outro, de parada, de continuar assim ou começar algum trecho. Como num tem nenhuma letra para guiar a galera.

Diogo - A gente num tem nada para se guiar. É só combinar tu faz isso, tu aquilo e quando terminar combina um sinal, nunca é certo o que a gente vai fazer.

Nos shows rola improviso, mas como é o processo de criação de vocês?

Antonio - A gente já tem ensaiado na cabeça. Na hora do show, nos últimos pelo menos, fica lombrando na cabeça. Tem improviso. Mas tipo, não tanto, porque a música está ensaiada.

Rafael - Mas chega na hora e a gente tá curtindo uma parte, então vamos continuar um pouquinho.

Antônio - E pronto, faz uma jam e daqui a pouco, tipo, acha o tema massa e vamos fazer uma música com esse tema.

Vocês já pensam mesmo profissionalmente? Investem mesmo, estudam...

Gabriel - O investimento material da gente é que a gente tem uma salinha na cidade, está reformando, então toda a grana de cachê a gente bota lá para fazer o estúdio da gente para não pagar mais ensaio. Eu já cheguei a fazer umas aulas de música, mas dei uma parada esse ano.

Diogo - E eu estudo produção fonográfica. E a gente faz coisa experimental para caramba.

Parece que vocês escutam cada um uma coisa diferente. O que é que vocês escutam juntos.

Todos - Ele escuta Kelly Key. (sobre Lwide). Você tira por ai.

Rafael - A gente escuta muita coisa parecida, eu acho que mais coisa parecida do que diferente. 65 days of static que é uma banda totalmente eletrônica.

Gabriel - Isso ai eu nunca ouvi. Eu gosto de Dead Fish. Hardcore. E Cidadão Instigado mesmo.

Diogo - Rock pauleira, rock doido. Fulgase, Sonic Youth.

Diogo - A gente está escutando muito SKA. Skatalite direto. A gente veio mais ou menos da mesma coisa. Todo mundo aqui tocava em banda de pau. As duas bandas da gente eram de gritaria. Já Antonio ouve muito mais jazz, samba, eu não ouço muita coisa daqui.

Antônio – Muito blues.

Pedro – Reggae. De vez em quando eu fico com vontade de escutar Deathtones ou então Rage. Ai é baterista que tem futuro.

Vocês inventaram essa lenda do aviador Joseph Tourton? Por que eu fui olhar no Google e, porra, Joseph Touton foi um empresário... Presidente da Fiepe.

Diogo - Era o nome da rua de Gabriel. A gente se chamava assim, antes de ser mesmo o nome da banda. Era esse empresário, que era dono da Fiepe, presidente na verdade e virou nome de rua e tal. A gente foi se inscrever para o Festival de Inverno, tinha que fechar capa, release, tudo para mandar proposta. Tinha que fechar tudo. Ai fez uma votação e em uma semana a gente fechou. A identidade visual todinha e tudo.

É verdade que o próximo CD de vocês vai ser bancado pela Fiepe.

Todos rindo – Tomara velho...

Eu conheci a banda mais ou menos na época do Coquetel Molotov. Desde então vocês têm tocado um bocado aqui em Recife. Como é que vocês vêm esse momento da banda?

Diogo - O momento tá massa, porque tem três shows marcados. Estamos tentando nos espalhar pelo menos no Nordeste. Por que tem muito festival para rolar ainda neste ano, tipo, a gente está indo para Natal agora. Vai tocar no DoSol Bar, ai tem o festival DoSol, o MADA. A idéia é a gente chegar lá e já se apresentar e dar uma divulgada na cidade.

Como é que vocês avaliam essa cena do rock instrumental por aqui no Nordeste.

Diogo - Monodecks, Chambaril, Rivotril, Treminhão, tá ligado. Tem muita banda boa.

Antônio - Tá crescendo, mas porra eu acho que a banda da gente tem uma estética totalmente diferente das outras e por isso que ficou em destaque.

Diogo - Tem mais a cara jovem, o pessoal faz um rock instrumental muito intelectualóide. É muito aquela coisa de estética, de música concretista e num sei que lá... A gente não tem isso, não pensa em conceitos.

Quando o Eddie começou a fazer sucesso mesmo, Fabinho tinha uma banda há dez anos que só tinha lhe dado para a carteira algumas gatinhas. Depois, acabou que mudou a banda, fez uma música que Cassia Eller gravou, maior sucesso... Tem um sonho de profissionalizar mesmo ou vocês estão mais pensando em comer uma menina bonita no próximo fim de semana?

Diogo - Também. A gatinha está sempre valendo.

Rafael - Mas claro que a idéia mesmo é viver de som. Não só pela banda, pegar experiência e usar isso em outros trabalhos. Sempre com som e com música.

A coisa que vocês menos devem gostar é a comparação com Mombojó. Mas de repente a sonoridade da flauta e da escaleta especialmente lembra aquela coisa mais experimental deles com o Rafa (e Marcelo). Vocês tocam praticamente os mesmos instrumentos por exemplo.

Diogo - Eu acho massa a banda. Não me incomodo que achem isso, mas eu também não acho tão parecido assim não. E acho engraçado que todo mundo acha parecido assim, talvez pela flauta, coisa assim.

Rafael - O som da gente é bem mais pesado.

Diogo - Mas acho que a gente precisa da flauta no meio da música porque a gente precisa de uma harmonia, não dá para ser só acorde, acorde, acorde. O Mombojó tem vocal, teclado, tem muita coisa assim...

Que novos elementos vocês têm imaginado para o som de vocês?

Antonio - De sopro né?! (influenciado por uma conversa anterior)

Não porra. Qualquer coisa!

Antonio - Eu trouxe o trompete. Ai estou estudando. Está ai o instrumento. Por que o instrumento que eu toco mesmo é a conga, que quarta-feira tá na mão. Ai vou montar um setizinho em casa que minha criança... (risadas) Né brinquedo não. A gente também tem a idéia de montar uns cenários atrás do palco e mecher com vídeo também, que nem teve no Coquetel.

Falo isso, por que, vocês são uma banda de pauleira. Mas eu, que gosto de jazz, vejo vocês tocarem e fico na viagem que vocês têm aquela mística do free jazz de tocar por tocar. Mas né para você se influenciar com isso não...

Diogo - As músicas surgem da gente fazer som. Não é nada que a gente imagina aquela harmonia. No ensaio vai tocando e guarda isso, guarda isso. Ai vai usando depois. Quando a gente começou a fazer as primeiras gravações, o processo de pré-produção todo das gravações, acho que a galera deu uma explosão criativa. Por que na hora de gravar tem que estar tudo amarrado, a galera fica mais certinha. Vai usar aquele riffsinho. Isso aqui bota aqui.

Vocês ainda têm vontade de colocar voz ou isso está superado?

Diogo - A gente já pensou nisso. Tem umas paradas sampleadas, rola uns gritos.

Rafael – Mas na verdade não tem cantor... O negócio é que ninguém daqui canta e ninguém escreve mesmo.

Antônio - Eu faço música na minha cabeça direto. Mas não pensei nada que pudesse ser implementado na banda. Ai eu pensei agora... Uma coisa que pode ser implementada. Frases assim. Apresentações para as músicas. Anotei altas coisas de ontem para hoje. Só umas frases assim. Ou então apresentações de música que sejam mais irreverentes, tipo O mundo de salomônico e o nome da música é Salomônico.

Hoje vocês já têm repertório para fechar um disco?

Diogo - Esse ano ainda a gente quer gravar um CD. Temos oito ou nove músicas prontas.

Rafael – A idéia é é criar mais para sobrar e escolher aquelas que mais gostamos.

Diogo - Ter umas 15, 16 composições. E pegar as top. Fazer um CD pequenininho. Vamos fazer algumas gravações ainda antes disso. Não definitivas. Aquele show do Café Portenho foi gravado e ficou muito legal. Ficou massa! Tocamos muito bem naquele dia. A gente ta afim de colocar na Internet.

E como vai ser esse show de Natal?

Diogo - Vai ser a gente e Monodecks daqui e Adão Demo, que é lá de Natal e foi a banda que fez o convite. Eles nos conheceram no Coquetel Molotov. A idéia é nesse show a gente gravar o nosso show e o da Monodecks e fazer um split das duas bandas e divulgar as duas juntas. Aquela história, noite instrumental num sei que lá e tal. Dizem que a gente é pós-rock também, que a gente não é nada disso.

Não é nada disso e é o quê?

Todos - Não sei (risos). É rock instrumental. É rock instrumental É rock instrumental Com uma pinta de brega. Mistura dos internacionais com o Brasil.

5.5.09

Interregnum


Não tenho grande conhecimento de arte contemporânea. Mas até pelo meu distanciamento fico com vontade de falar deste espetáculo.

Claudio Lacerda é um dos artistas pernambucanos que mais me surpreendem. A primeira vez que tive a idéia da força do trabalho dele foi em uma intervenção coletiva sobre a Ponte de Ferro, no Centro do Recife.

Causou espanto em todos os pedestres aquele grupo de bailarinos, dirigidos por Claudio, dançando sobre as estruturas de ferro, circulando no meio da rua de pedestres e fazendo os movimentos da coreografia nem tão ensaiada.

Era engraçado ver a reação dos ambulantes, das donas de casa e dos jornalistas que tinham ido somente para ver aquela intervenção artística. É, meu filho, arte contemporânea nem sempre é uma cabecice sem pé nem cabeça que te enche o saco.

Fiquei surpreso pelo interesse de um cara tão viajado em fazer uma intervenção voltada basicamente para o público que circula no Centro do Recife. E mais impressionado ainda ao ver a interação surgida na hora da apresentação.

Nos próximos dois fins de semana, Claudio e Juliana Siqueira continuam a temporada de Interregnum. Um duo hiper sensual, que ele interpretou pela primeira vez em 2006, mas que só veio a ter uma temporada em Recife agora.

O espetáculo começa com uma recomendação simples. “Se espalhem pela platéia, dá para ficar nos quatro lados do tablado e de cada lugar a visão é totalmente diferente”. A platéia do dia em que eu fui ficou quase que concentrada na arquibancada mais próxima da entrada, pena para eles.

Os encontros e desencontros dos personagens de Claudio e Juliana realmente podem ser vistos de todas aquelas perspectivas, sempre de maneira diferente. Como que lembrando quem ama de tentar enchergar a visão do amado e analisar se não há razões para os movimentos, as ausências ou a vontade de ficar estático.

Não estou falando de uma comédia romântica. Poderia até ser um drama. Mas é um espetáculo de corpos. Duas pessoas que mais que dançam, se expressam. E um criador de uma virilidade sensível e bem definida.

O som, como sempre nos espetáculos de Claudio, é o terceiro personagem. Sempre no clima certo. Figurinos e cenários mais simples impossível. Fica aberta a possibilidade de ver uma dançarina lindíssima como Juliana. (Ele também é bonito para caramba). Mais seria menos.

24.4.09

Gêmeos e Xangô



Adoro minha profissão. Gosto de saber os esquemas dos parlamentares para tirar um pouquinho mais de glicose da cota de passagens, que eles aprovaram para si próprios e suas esposas. De perceber quando uma reportagem foi propositalmente distorcida para que os agricultores do MST pareçam tão violentos quanto os capangas que atiram em homens que correm desesperadamente sem direção. Ou mesmo de notar a diferença que existe entre Raul Henry pagar a vinda de Hugo Acero e Luciana Genro a viagem de Protógenes Queiroz e de quem paga uma viagem para o neto ir para a Disney. Mas isso qualquer um com um pouco de acesso às informações e mais de um quilo de cérebro é capaz de discernir. Então, realmente fico pensando que devia ter percebido que ser cozinheiro podia ser no mínimo tão ruim financeiramente e no máximo muito mais prazeroso do que o meu ofício atual.

Gosto do Recife. Meu sábado ideal dificilmente vai ser alguma coisa que não seja ir para uma praia de Pernambuco. Mergulhar em Porto de Galinhas como fazíamos antes de Marta casar com Fernando, ou como fiz mês passado com Chico. Levar Graça para comer um sarapatel em Boa Viagem, pois só vindo direto de Paris a pessoa tem coragem de comer sangue coagulado cozinhado por uma desconhecida. Perseguir uma menina em seu biquini novo de lurex para depois ficar mergulhando feito criança naqueles barcos que ficam ancorados no fundo lá em Calhetas. Ou mesmo fazer um churrasco que dura 36 horas na casa de algum conhecido em um condomínio de Maria Farinha sem chegar muito perto da areia da praia, mas sabendo que ela está ali há menos de 200 passos. Só que existe o domingo para a gente ter saudade do pico de água gelada do Pina de Copacabana e das meninas lindíssimas de Ipanema.

As vezes esqueço da minha sede de Justiça. Daquele ódio que toma conta de mim quando sinto que as coisas estão erradas. Uma sensação tão forte que simplesmente me faz disconhecer o presente, tornando a vida apenas o futuro e o passado daqueles instantes. Momentos de fúria e terror, mas também de expressão de homem/adolescente/criança que fui e carrego dentro de mim. Acabei me moldando, mesmo acreditando piamente que cada um tem um defeito diferente para na soma fazermos um conjunto menos careta. No mínimo sei que carrego dentro de mim essa chama e não deixo ela se apagar.

Eu tive um sonho ruim e acordei sorrindo.

22.4.09

Pesquisadores descobrem forte usado na resistência à invasão holandesa

Do PE 360 Graus




Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) fizeram uma descoberta histórica no Recife: um forte no Sítio da Trindade que teria sido um dos principais locais de resistência à invasão dos holandeses.

A história de baixo de nossos pés. Arqueólogos da UFPE removem a terra e voltam ao século XVII no Sítio da Trindade, onde ficava o Forte Real do Bom Jesus, construído pelos portugueses. Tinha mais de cem metros de largura por 93 de comprimento e uma missão estratégica.

O Forte Real do Bom Jesus chegou a ser considerado intransponível pelos adversários. O fosso tinha 4,5 metros de profundidade e acompanhava uma muralha de terra de quatro metros de altura. Um obstáculo que durante cinco anos impediu o avanço dos holandeses para o interior de Pernambuco, onde ficavam os engenhos que produziam a riqueza da época: o açúcar.

A tecnologia a serviço do passado: toda a terra é peneirada, mas com o impulso mecânico. Em vez de carrinhos de mão pra levar a terra, um pequeno trator. A câmera transmite ao vivo pela internet o trabalho nas escavações - é preciso delicadeza para revelar a imensa panela de cerâmica que os portugueses usavam.

Milhares de fragmentos foram encontrados: porcelana, cachimbos, cerâmica e balas de canhão. As maiores são de ferro - pesam 11 quilos; as menores, de chumbo, eram disparadas de pistolas e mosquetões.

Outras curiosidades também vieram à tona. O mato e o lixo foram retirados do fosso e um pequeno retrato da resistência dos portugueses que ficaram cercados durante três meses, sob intenso ataque antes de se render, ressurgiu.

“Esse local deve não só ser lembrado, mas cultuado como grande foco de resistência aos holandeses”, afirma o coordenador do Laboratório de Arqueologia da UFPE, Marcos Albuquerque. “Foi nessa guerra que se falou pela primeira vez o nome de pátria no Brasil”.

Você pode acompanhar as escavações no site do Laboratório de Arqueologia da UFPE nas segundas, quartas e sextas-feiras.

15.4.09

Ilha do Retiro

"É diferente quando se está lá, sentindo esse suposto deus te esmagar em sua insignificância diante da dimensão dessas construções. Ou de comprovar a simetria entre a obra de Niemeyer com a inclinação do Pão de Açúcar.

É quase o mesmo de querer comparar a conquista de um campeonato assistido pela televisão com a emoção do estádio. No dia 11 de junho de 2008, meus olhos estavam na Ilha do Retiro e viram os gols de Carlinhos Bala e Luciano Henrique na final da Copa do Brasil contra o Corinthians, por um ângulo exclusivo, que nenhuma câmera de tevê captou.

Pode até não ter sido melhor que as imagens da Globo, mas a visão que eu tive da bola entrando, misturada com os braços erguidos e a transformação de expressões tensas em alívio, agradecimento e completa euforia, isso aí, ninguém pode colocar no YouTube".

www.vacatussa.com
Umbigocêntrico
Por Tiago Corrêa

7.4.09

Silêncio de inteligência


O Sítio da Trindade está sendo vasculhado por pesquisadores, que procuram relíquias arqueológicas numa das áreas verdes mais antigas da Zona Norte do Recife. O caminhão, que mais parece um daqueles usados na Fórmula 1, está estacionado no meio da pista de cooper, onde os freqüentadores todos podem observar o movimento.

Sou um cara calado com estranhos. Mas em um dos meus recentes percursos por ali não pude evitar de ouvir a discussão de umas senhoras da Academia da Cidade com uma das estudiosas. As velhinhas não se conformavam com a informação de que os estudos estavam sendo realizados para possibilitar a construção de um grande prédio.

Para mim, é um grande silêncio da inteligência. Só os insensíveis não vêem que a história daquele lugar leva a um agradável bucolismo. Os resquícios do Forte do Arraial do Bom Jesus devem realmente ser pesquisados e catalogados. Para que nossas crianças possam conhecer a nossa história, quem sabe em um museu criado naquele casarão que fica na entrada do parque.

Qual a importância daquelas jaqueiras? Elas sombrearam o Movimento Armorial. Para que manter uma sementeira em Casa Amarela? Para plantar nos nossos filhos o desejo de cuidar de nossas plantas e, assim, de nós mesmos. Por que não criar uma Refinaria Multicultural ali naquele lugar? Por que existem dezenas de outros disponíveis na Zona Norte. Respostas não faltam.

Andando cerca de 200 metros na Estrada do Arraial, o cidadão vai se deparar com as ruínas do antigo Centro Esportivo Banorte. Ao lado, um terreno baldio com um campo de futebol de várzea em estado de abandono. Em frente, o antigo América Futebol Clube, atualmente alugado por uma escola de Ensino Médio. Três áreas que poderiam ser facilmente desapropriadas pela Administração Municipal. Sugestões não faltam.

A gestão João da Costa começou criando uma polêmica desnecessária com os barraqueiros de Boa Viagem, ao retirar as cervejas em vasilhame de vidro (retornáveis) para criar mais lixo obrigando-os a utilizar as latinhas (de material reciclável hoje pouco valorizado). Agora, tenta reviver a polêmica do Parque Dona Lindu do outro lado da cidade.

Trabalhei na primeira gestão de João Paulo. Sei o quanto eles beneficiaram a Zona Sul do Recife. Me orgulho de ter atuado na Inversão do Trânsito de Boa Viagem. E sei que, desde aquela época, o corredor de transporte mais lento da Região Metropolitana do Recife é as avenidas Rui Barbosa e Rosa e Silva, que tinha há seis anos velocidade média entre 7 e 12 quilômetros por hora nos horários de pico.

O Metrô Zona Sul finalmente foi inaugurado. Dinheiro para a, também burra, Via Mangue parece não ser problema. Quando finalmente aparece um projeto para a Zona Norte vem para destruir uma rara e histórica área verde do nosso bairro. Espero que as nossas mulheres ainda tenham panelas para não deixar que esses holandeses tombem nossa sementeira.

A sementeira é do Sítio. A refinaria é de Casa Amarela.

2.4.09

Bonito

Quando fiz trinta anos, ao contrário da maioria, me sentia um cara com essa idade há muito tempo. Faz quase dez anos que tenho um filho e as responsabilidades de um pai. No trabalho eu sou a puta velha.

Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Jaboatão. Congresso Nacional, Souza Aguiar, Ilha do Retiro, Vila Palmares.

Talvez por isso minha primeira namorada depois dos 30 tenha sido uma menina de 19 anos. Muito fácil a gente fazer de conta que já viveu de tudo. Para quem não sabe interpretar o nosso papel.

Paris, Barcelona, Rio de Janeiro, São Paulo. Vinho, clara, chopp e mais chopp.

Mais pelas semelhanças do que pelas diferenças acabo me afastando rapidamente de pessoas muito queridas. Quase entendi isso no dia em que uma menina me mandou duas músicas de Amy Whinehouse para me dizer que não era feita para mim.

Nancy, Ilhabela, Pirinópolis, Porto de Galinhas. Felizmente, na minha vida sempre acho uma esquina nova.

13.3.09

TSE nega pedido do PT e mantém mandato do deputado federal Paulo Rubem Santiago


Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram nesta quinta-feira (12), por unanimidade, negar ao Partido dos Trabalhadores (PT) o pedido de perda do cargo do deputado federal Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), por suposta infidelidade partidária. O resultado se deu por unanimidade depois que o ministro Arnaldo Versiani, que apresentou nesta quinta-feira (12) seu voto-vista na matéria, julgou improcedente o pedido do PT e, logo em seguida, o relator, ministro Marcelo Ribeiro, reconsiderou seu voto, no qual julgava o pedido procedente.

Eleito pelo PT em outubro de 2006, Paulo Rubem migrou para o Partido Democrático Trabalhista (PDT) após desfiliação do PT ocorrida no dia 17 de setembro de 2007, data que, de acordo com a Resolução/TSE 22.610, leva à perda de mandato os parlamentares que troquem de partido sem justa causa.

Voto-vista

Ao trazer seu voto-vista na sessão desta noite, o ministro Arnaldo Versiani considerou que o deputado deixou o PT por justa causa. De acordo com o ministro, o partido deu causa ao rompimento da relação com o parlamentar. “Penso que efetivamente se configurou causa de rompimento da relação eleitor-partido-representante considerados os acontecimentos consistentes em alteração de linha política ideológica do PT”, salientou o ministro.

Ainda de acordo com o ministro, a migração ocorreu do choque da sua formação ideológica com os fatos ocorridos no âmbito do partido. “Não se pode negar que o deputado, durante esses anos, foi se tornando dissidente do novo alinhamento da legenda, entre as mais diversas questões políticas, o que, a meu ver, justifica a desfiliação”.

Em seguida, o relator, ministro Marcelo Ribeiro decidiu reconsiderar seu voto anterior, quando julgou pela procedência do pedido. Disse que houve uma “dissintonia” entre o parlamentar e o partido e que o ministro Arnaldo Versiani, em seu voto, deu inclusive enfoque a fatos significativos, como a punição que o deputado sofreu por ter votado contrariamente à reforma da Previdência proposta pelo governo.

“Essa questão é incontroversa. Todos sabemos que a posição do PT antigamente era contrária também a esse tipo de reforma. A verdade é que houve a modificação de pensamento do partido e o deputado não seguiu essa mudança”, afirmou o relator.

O pedido foi feito pelo PT em novembro de 2007. De acordo com a legenda, Paulo Rubem foi eleito deputado federal, em outubro de 2006, pelo Partido dos Trabalhadores em Pernambuco, mas migrou para o Partido Democrático Trabalhista (PDT), comunicando sua desfiliação à direção nacional do seu partido de origem em setembro de 2007, após a decisão do TSE de que os mandatos referentes a cargos proporcionais pertencem aos partidos políticos.

De acordo com o Diretório Nacional do PT, Paulo Rubem Santiago foi eleito deputado federal “pelo critério de média”, e sua desfiliação foi comunicada ao partido “por meio de documento que não consigna as razões para tanto”.

O parlamentar alegou ter sido vítima de grave discriminação pelo partido e citou como exemplo “penalidade estatutária que lhe foi imposta em decorrência de descumprimento de determinação colegiada quando da votação da Reforma da Previdência”.

Valeu Paulo!

Vivi de perto grande parte da tensão que foi o processo de cassação movido pelo PT contra Paulo Rubem Santiago. Ainda em Brasília, acompanhei toda a arrumação da defesa, os depoimentos marcantes de Eduardo Campos e Cristovam Buarque e o voto então pela cassação do ministro Marcelo Ribeiro.

Ontem à noite, recebi algumas ligações de amigos para comemorar a vitória do parlamentar. O Tribunal Superior Eleitoral considerou legítimos os argumentos dos advogados de defesa Luiz Belem e Andre Avila e, por 7X0, garantiu a continuidade do mandato de um dos mais atuantes representantes de Pernambuco na Câmara dos Deputados.

Mais que a vitória de Paulo Rubem, é uma vitória de quem acredita que pode existir representação popular sem comprometimento com as grandes coorporações. Quem acompanha a política em Pernambuco sabe muito bem que motivos não faltavam para a saída dele, que foi fundador do partido, do PT.

Os dois casos escolhidos pela defesa para ilustrar a argumentação são exemplos de uma prática de exclusão dos processos decisórios que Paulo enfrentou durante seus últimos anos de PT. Ele foi excluído da relatoria da Lei de Diretrizes Orçamentárias sem receber explicação alguma das lideranças partidárias em Brasília. E foi vítima de um processo de filiação em massa em Jaboatão para garantir a candidatura de André Campos para prefeito do Município.

Ganha Paulo Rubem. Vencem os seus eleitores que acreditam na força da sua voz. Se fortalece o povo de Jaboatão com seu único representante legítimo na Câmara dos Deputados. E, sobretudo, a sociedade brasileira respira aliviada com um sopro de esperança que o TSE nos dá de garantia da Justiça no País.

Agora afastado do mandato, por querer ajudar na reconstrução de Jaboatão e ficar próximo de minha família em Pernambuco, me sinto com um pouco mais de liberdade para comemorar a vitória no TSE. Me lembro do dia em que apresentei o deputado a meu filho, então com sete anos: "Esse sim é um Político com P maiúsculo", disse. Bem antes de pensar em vir trabalhar ao seu lado.

Espero que essa vitória tenha para Paulo a força de um sopro de renovação. Muita gente boa está ao seu lado deputado e esperamos que você continue lutando pelas causas em que acredita. De peito aberto, como sempre. Agora com o coração muito mais leve, porque está provado que o parto que foi a sua saída foi por uma causa justa.

Espero que sua representação seja agora muito mais rica para o bem de Jaboatão e de Pernambuco. Um grande abraço. De amigo e admirador.

Eduardo Amorim

10.2.09

Meu inimigo e eu

Meu livro preferido chamasse Cozinha Confidencial. Estou com a resposta preparada para aqueles pingue-pongues ridículos. Livro de cabeceira... Leio de vez em quando um dos capítulos e me lembro de trechos que me marcaram de vez em quando.

Quando Anthony Bourdain estava se recuperando da fase crítica do vício em heroína, ele tem uma oportunidade em um restaurante da máfia italiana de Nova Iorque. O diálogo é bem interessante.

O dono do negócio chama ele e diz que recebeu algumas ligações anônimas. "Dizem que você é traficante e pratica pequenos furtos". Uma coisa assim. O cara acha que vai se fuder de vez. Era a oportunidade que ele não podia perder.

Responde que não sabe de onde pode ter surgido a história. E ouve uma coisa que acho tipicamente italiana. O dono do restaurante diz apenas que é um bom sinal, que o chefe está ficando importante, porque agora ele tem pelo menos um inimigo.

Pois é. De um ano para cá, várias amigas têm tido problemas com mensagens e e-mails me detonando. Alguns namorados ficaram putos com essa história. Fora o perigo que eu corro com esse tipo de informação distorcida, fico puto porque o cara me trata como se não tivesse nada contra mim.

Bem, uma virgindade a menos.

(É, eu sei quem é e o trato normalmente. Até já falei sobre isso com a namorada dele, mas parece que não deu resultados)