Avec

Japaratinga. Arrepio. Ceroula. Francis Bacon. Poço da Panela. Pedro Almodovar. No ponto. Terra Estrangeira. Biu Santeiro. Ao bafo. Beatles. Eu acho é pouquinho. Sopro. Ao termidor. Paulo Francis Vai Pro Céu. Trinca de Ás. Rodolfo Mesquita. Muribeca. Brisa.

5.7.09

A Banda de Joseph Tourton



Fui encontrar A Banda de Joseph Tourton durante a semana pré-carnavalesca. Eles não sabiam o nome da rua onde ensaiam, no tradicional bairro recifense das Graças. "Pega a Rua Amélia, entra pra direita na galeria e você vai ver uma grade preta", foi como me explicaram.

Quando achei o lugar eles estavam super animados com três shows marcados e toda a folia de Recife e Olinda para começar.No ensaio mais uma vez eles me surpreenderam. O som tem evoluído bastante desde a apresentação do Coquetel Molotov em 2008. Nada que se possa prever, pois os meninos são mesmo dessa geração de adolescentes que a Veja critica por absorver milhões de influências ao mesmo tempo. Algo novo no ar.

Gosto de um leve tom brega e do estilo jazzístico da banda tocar pensando no seu próprio prazer. Mas me peguei curtindo a diversão hardcore dos caras que vieram de duas bandas de "gritaria". Quando pensava que eles iam mostrar um pouquinho mais da veia hardcore, surpreenderam querendo criar um duo de instrumentos de sopro, feito por Lwide (um amigo que tem se tornado um sexto elemento da banda) e Antonio.

Recife lançou desde a década de 90 várias "melhores bandas de todos os tempos da última semana". No verão de 2008 para 2009, a julgar pelos críticos daqui e de revistas e sites nacionais essa responsabilidade ficou para os cinco meninos da Joseph Tourton. Se eles vão continuar vagando pela Internet, tocando para o mesmo público pernambucano ou se vão realmente conseguir ganhar a vida fazendo música e tocando pelo Brasil só o tempo dirá.

O rock instrumental de A Banda de Joseph Tourton se destaca por ser um som diferente dentro de uma safra boa que surgiu no Nordeste. Parece uma mistura de Hurtmold com Mombojó. Resta aos caras estudar, cada um se trancar para juntar suas influências ou se satisfazerem por ter um motivo para comer a gatinha da sala de faculdade. E parece que eles vão conseguindo fazer as pizzas chegarem mesmo sem saber o nome das ruas onde tocam.

Escalação:

Diogo Guedes (guitarra e efeitos)

Antonio Paes (percussão)

Pedro Bandeira (bateria)

Rafael Gadelha (baixo)

Gabriel Izidoro (guitarra, escaleta e flauta transversal)

Lwide (trompete) é o sexto elemento

Diogo e mais quem vieram do Psicopatas?

Antônio - Eu, Diogo e Pedro. E o resto era da Stage One.

O resto todinho?

Pedro - Esquece isso! Esquece isso. Deixa essa banda para lá. Sonora Stereo Lounge, Stage One mudou de nome

Antônio - Quer saber da história então anote. Esse foi um projeto que nunca chegou a rolar, mas ainda tá a marquinha lá no quarto.

E essas experiências trouxeram alguma coisa para vocês. Por que vocês me parecem uma banda com bagagem para a idade de vocês.

Antonio - Psicopatas valeu e Stage One também. Tínhamos 13 anos né, sei lá. Conta ai Diogo.

Diogo - Psicopatas valeu para caralho. Tocamos no Abril em 2002. Festival de Inverno de Garanhuns. Foi do caralho! Para mim, é um negócio que eu lembro quase todo dia de ter tocado no Abril com o Psicopatas e em Garanhuns também. A gente já tocava junto antes da Joseph Tourton, já era todo mundo meio entrosado. Todo mundo aqui sempre tocou, desde pirralho, e era só de improviso e isso ajudou a amarrar a galera.

Fiquei notando no último show da banda. Não sei se era a vibe daquela noite, aquele ambiente, a lua... Cada um de vocês olhando para um canto. Vocês não tocam para a platéia. E parece que gostam de tocar para caralho.

Gabriel - Na verdade é porque as músicas da gente requerem muita observação um do outro, de parada, de continuar assim ou começar algum trecho. Como num tem nenhuma letra para guiar a galera.

Diogo - A gente num tem nada para se guiar. É só combinar tu faz isso, tu aquilo e quando terminar combina um sinal, nunca é certo o que a gente vai fazer.

Nos shows rola improviso, mas como é o processo de criação de vocês?

Antonio - A gente já tem ensaiado na cabeça. Na hora do show, nos últimos pelo menos, fica lombrando na cabeça. Tem improviso. Mas tipo, não tanto, porque a música está ensaiada.

Rafael - Mas chega na hora e a gente tá curtindo uma parte, então vamos continuar um pouquinho.

Antônio - E pronto, faz uma jam e daqui a pouco, tipo, acha o tema massa e vamos fazer uma música com esse tema.

Vocês já pensam mesmo profissionalmente? Investem mesmo, estudam...

Gabriel - O investimento material da gente é que a gente tem uma salinha na cidade, está reformando, então toda a grana de cachê a gente bota lá para fazer o estúdio da gente para não pagar mais ensaio. Eu já cheguei a fazer umas aulas de música, mas dei uma parada esse ano.

Diogo - E eu estudo produção fonográfica. E a gente faz coisa experimental para caramba.

Parece que vocês escutam cada um uma coisa diferente. O que é que vocês escutam juntos.

Todos - Ele escuta Kelly Key. (sobre Lwide). Você tira por ai.

Rafael - A gente escuta muita coisa parecida, eu acho que mais coisa parecida do que diferente. 65 days of static que é uma banda totalmente eletrônica.

Gabriel - Isso ai eu nunca ouvi. Eu gosto de Dead Fish. Hardcore. E Cidadão Instigado mesmo.

Diogo - Rock pauleira, rock doido. Fulgase, Sonic Youth.

Diogo - A gente está escutando muito SKA. Skatalite direto. A gente veio mais ou menos da mesma coisa. Todo mundo aqui tocava em banda de pau. As duas bandas da gente eram de gritaria. Já Antonio ouve muito mais jazz, samba, eu não ouço muita coisa daqui.

Antônio – Muito blues.

Pedro – Reggae. De vez em quando eu fico com vontade de escutar Deathtones ou então Rage. Ai é baterista que tem futuro.

Vocês inventaram essa lenda do aviador Joseph Tourton? Por que eu fui olhar no Google e, porra, Joseph Touton foi um empresário... Presidente da Fiepe.

Diogo - Era o nome da rua de Gabriel. A gente se chamava assim, antes de ser mesmo o nome da banda. Era esse empresário, que era dono da Fiepe, presidente na verdade e virou nome de rua e tal. A gente foi se inscrever para o Festival de Inverno, tinha que fechar capa, release, tudo para mandar proposta. Tinha que fechar tudo. Ai fez uma votação e em uma semana a gente fechou. A identidade visual todinha e tudo.

É verdade que o próximo CD de vocês vai ser bancado pela Fiepe.

Todos rindo – Tomara velho...

Eu conheci a banda mais ou menos na época do Coquetel Molotov. Desde então vocês têm tocado um bocado aqui em Recife. Como é que vocês vêm esse momento da banda?

Diogo - O momento tá massa, porque tem três shows marcados. Estamos tentando nos espalhar pelo menos no Nordeste. Por que tem muito festival para rolar ainda neste ano, tipo, a gente está indo para Natal agora. Vai tocar no DoSol Bar, ai tem o festival DoSol, o MADA. A idéia é a gente chegar lá e já se apresentar e dar uma divulgada na cidade.

Como é que vocês avaliam essa cena do rock instrumental por aqui no Nordeste.

Diogo - Monodecks, Chambaril, Rivotril, Treminhão, tá ligado. Tem muita banda boa.

Antônio - Tá crescendo, mas porra eu acho que a banda da gente tem uma estética totalmente diferente das outras e por isso que ficou em destaque.

Diogo - Tem mais a cara jovem, o pessoal faz um rock instrumental muito intelectualóide. É muito aquela coisa de estética, de música concretista e num sei que lá... A gente não tem isso, não pensa em conceitos.

Quando o Eddie começou a fazer sucesso mesmo, Fabinho tinha uma banda há dez anos que só tinha lhe dado para a carteira algumas gatinhas. Depois, acabou que mudou a banda, fez uma música que Cassia Eller gravou, maior sucesso... Tem um sonho de profissionalizar mesmo ou vocês estão mais pensando em comer uma menina bonita no próximo fim de semana?

Diogo - Também. A gatinha está sempre valendo.

Rafael - Mas claro que a idéia mesmo é viver de som. Não só pela banda, pegar experiência e usar isso em outros trabalhos. Sempre com som e com música.

A coisa que vocês menos devem gostar é a comparação com Mombojó. Mas de repente a sonoridade da flauta e da escaleta especialmente lembra aquela coisa mais experimental deles com o Rafa (e Marcelo). Vocês tocam praticamente os mesmos instrumentos por exemplo.

Diogo - Eu acho massa a banda. Não me incomodo que achem isso, mas eu também não acho tão parecido assim não. E acho engraçado que todo mundo acha parecido assim, talvez pela flauta, coisa assim.

Rafael - O som da gente é bem mais pesado.

Diogo - Mas acho que a gente precisa da flauta no meio da música porque a gente precisa de uma harmonia, não dá para ser só acorde, acorde, acorde. O Mombojó tem vocal, teclado, tem muita coisa assim...

Que novos elementos vocês têm imaginado para o som de vocês?

Antonio - De sopro né?! (influenciado por uma conversa anterior)

Não porra. Qualquer coisa!

Antonio - Eu trouxe o trompete. Ai estou estudando. Está ai o instrumento. Por que o instrumento que eu toco mesmo é a conga, que quarta-feira tá na mão. Ai vou montar um setizinho em casa que minha criança... (risadas) Né brinquedo não. A gente também tem a idéia de montar uns cenários atrás do palco e mecher com vídeo também, que nem teve no Coquetel.

Falo isso, por que, vocês são uma banda de pauleira. Mas eu, que gosto de jazz, vejo vocês tocarem e fico na viagem que vocês têm aquela mística do free jazz de tocar por tocar. Mas né para você se influenciar com isso não...

Diogo - As músicas surgem da gente fazer som. Não é nada que a gente imagina aquela harmonia. No ensaio vai tocando e guarda isso, guarda isso. Ai vai usando depois. Quando a gente começou a fazer as primeiras gravações, o processo de pré-produção todo das gravações, acho que a galera deu uma explosão criativa. Por que na hora de gravar tem que estar tudo amarrado, a galera fica mais certinha. Vai usar aquele riffsinho. Isso aqui bota aqui.

Vocês ainda têm vontade de colocar voz ou isso está superado?

Diogo - A gente já pensou nisso. Tem umas paradas sampleadas, rola uns gritos.

Rafael – Mas na verdade não tem cantor... O negócio é que ninguém daqui canta e ninguém escreve mesmo.

Antônio - Eu faço música na minha cabeça direto. Mas não pensei nada que pudesse ser implementado na banda. Ai eu pensei agora... Uma coisa que pode ser implementada. Frases assim. Apresentações para as músicas. Anotei altas coisas de ontem para hoje. Só umas frases assim. Ou então apresentações de música que sejam mais irreverentes, tipo O mundo de salomônico e o nome da música é Salomônico.

Hoje vocês já têm repertório para fechar um disco?

Diogo - Esse ano ainda a gente quer gravar um CD. Temos oito ou nove músicas prontas.

Rafael – A idéia é é criar mais para sobrar e escolher aquelas que mais gostamos.

Diogo - Ter umas 15, 16 composições. E pegar as top. Fazer um CD pequenininho. Vamos fazer algumas gravações ainda antes disso. Não definitivas. Aquele show do Café Portenho foi gravado e ficou muito legal. Ficou massa! Tocamos muito bem naquele dia. A gente ta afim de colocar na Internet.

E como vai ser esse show de Natal?

Diogo - Vai ser a gente e Monodecks daqui e Adão Demo, que é lá de Natal e foi a banda que fez o convite. Eles nos conheceram no Coquetel Molotov. A idéia é nesse show a gente gravar o nosso show e o da Monodecks e fazer um split das duas bandas e divulgar as duas juntas. Aquela história, noite instrumental num sei que lá e tal. Dizem que a gente é pós-rock também, que a gente não é nada disso.

Não é nada disso e é o quê?

Todos - Não sei (risos). É rock instrumental. É rock instrumental É rock instrumental Com uma pinta de brega. Mistura dos internacionais com o Brasil.

5.5.09

Interregnum


Não tenho grande conhecimento de arte contemporânea. Mas até pelo meu distanciamento fico com vontade de falar deste espetáculo.

Claudio Lacerda é um dos artistas pernambucanos que mais me surpreendem. A primeira vez que tive a idéia da força do trabalho dele foi em uma intervenção coletiva sobre a Ponte de Ferro, no Centro do Recife.

Causou espanto em todos os pedestres aquele grupo de bailarinos, dirigidos por Claudio, dançando sobre as estruturas de ferro, circulando no meio da rua de pedestres e fazendo os movimentos da coreografia nem tão ensaiada.

Era engraçado ver a reação dos ambulantes, das donas de casa e dos jornalistas que tinham ido somente para ver aquela intervenção artística. É, meu filho, arte contemporânea nem sempre é uma cabecice sem pé nem cabeça que te enche o saco.

Fiquei surpreso pelo interesse de um cara tão viajado em fazer uma intervenção voltada basicamente para o público que circula no Centro do Recife. E mais impressionado ainda ao ver a interação surgida na hora da apresentação.

Nos próximos dois fins de semana, Claudio e Juliana Siqueira continuam a temporada de Interregnum. Um duo hiper sensual, que ele interpretou pela primeira vez em 2006, mas que só veio a ter uma temporada em Recife agora.

O espetáculo começa com uma recomendação simples. “Se espalhem pela platéia, dá para ficar nos quatro lados do tablado e de cada lugar a visão é totalmente diferente”. A platéia do dia em que eu fui ficou quase que concentrada na arquibancada mais próxima da entrada, pena para eles.

Os encontros e desencontros dos personagens de Claudio e Juliana realmente podem ser vistos de todas aquelas perspectivas, sempre de maneira diferente. Como que lembrando quem ama de tentar enchergar a visão do amado e analisar se não há razões para os movimentos, as ausências ou a vontade de ficar estático.

Não estou falando de uma comédia romântica. Poderia até ser um drama. Mas é um espetáculo de corpos. Duas pessoas que mais que dançam, se expressam. E um criador de uma virilidade sensível e bem definida.

O som, como sempre nos espetáculos de Claudio, é o terceiro personagem. Sempre no clima certo. Figurinos e cenários mais simples impossível. Fica aberta a possibilidade de ver uma dançarina lindíssima como Juliana. (Ele também é bonito para caramba). Mais seria menos.

24.4.09

Gêmeos e Xangô



Adoro minha profissão. Gosto de saber os esquemas dos parlamentares para tirar um pouquinho mais de glicose da cota de passagens, que eles aprovaram para si próprios e suas esposas. De perceber quando uma reportagem foi propositalmente distorcida para que os agricultores do MST pareçam tão violentos quanto os capangas que atiram em homens que correm desesperadamente sem direção. Ou mesmo de notar a diferença que existe entre Raul Henry pagar a vinda de Hugo Acero e Luciana Genro a viagem de Protógenes Queiroz e de quem paga uma viagem para o neto ir para a Disney. Mas isso qualquer um com um pouco de acesso às informações e mais de um quilo de cérebro é capaz de discernir. Então, realmente fico pensando que devia ter percebido que ser cozinheiro podia ser no mínimo tão ruim financeiramente e no máximo muito mais prazeroso do que o meu ofício atual.

Gosto do Recife. Meu sábado ideal dificilmente vai ser alguma coisa que não seja ir para uma praia de Pernambuco. Mergulhar em Porto de Galinhas como fazíamos antes de Marta casar com Fernando, ou como fiz mês passado com Chico. Levar Graça para comer um sarapatel em Boa Viagem, pois só vindo direto de Paris a pessoa tem coragem de comer sangue coagulado cozinhado por uma desconhecida. Perseguir uma menina em seu biquini novo de lurex para depois ficar mergulhando feito criança naqueles barcos que ficam ancorados no fundo lá em Calhetas. Ou mesmo fazer um churrasco que dura 36 horas na casa de algum conhecido em um condomínio de Maria Farinha sem chegar muito perto da areia da praia, mas sabendo que ela está ali há menos de 200 passos. Só que existe o domingo para a gente ter saudade do pico de água gelada do Pina de Copacabana e das meninas lindíssimas de Ipanema.

As vezes esqueço da minha sede de Justiça. Daquele ódio que toma conta de mim quando sinto que as coisas estão erradas. Uma sensação tão forte que simplesmente me faz disconhecer o presente, tornando a vida apenas o futuro e o passado daqueles instantes. Momentos de fúria e terror, mas também de expressão de homem/adolescente/criança que fui e carrego dentro de mim. Acabei me moldando, mesmo acreditando piamente que cada um tem um defeito diferente para na soma fazermos um conjunto menos careta. No mínimo sei que carrego dentro de mim essa chama e não deixo ela se apagar.

Eu tive um sonho ruim e acordei sorrindo.

22.4.09

Pesquisadores descobrem forte usado na resistência à invasão holandesa

Do PE 360 Graus




Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) fizeram uma descoberta histórica no Recife: um forte no Sítio da Trindade que teria sido um dos principais locais de resistência à invasão dos holandeses.

A história de baixo de nossos pés. Arqueólogos da UFPE removem a terra e voltam ao século XVII no Sítio da Trindade, onde ficava o Forte Real do Bom Jesus, construído pelos portugueses. Tinha mais de cem metros de largura por 93 de comprimento e uma missão estratégica.

O Forte Real do Bom Jesus chegou a ser considerado intransponível pelos adversários. O fosso tinha 4,5 metros de profundidade e acompanhava uma muralha de terra de quatro metros de altura. Um obstáculo que durante cinco anos impediu o avanço dos holandeses para o interior de Pernambuco, onde ficavam os engenhos que produziam a riqueza da época: o açúcar.

A tecnologia a serviço do passado: toda a terra é peneirada, mas com o impulso mecânico. Em vez de carrinhos de mão pra levar a terra, um pequeno trator. A câmera transmite ao vivo pela internet o trabalho nas escavações - é preciso delicadeza para revelar a imensa panela de cerâmica que os portugueses usavam.

Milhares de fragmentos foram encontrados: porcelana, cachimbos, cerâmica e balas de canhão. As maiores são de ferro - pesam 11 quilos; as menores, de chumbo, eram disparadas de pistolas e mosquetões.

Outras curiosidades também vieram à tona. O mato e o lixo foram retirados do fosso e um pequeno retrato da resistência dos portugueses que ficaram cercados durante três meses, sob intenso ataque antes de se render, ressurgiu.

“Esse local deve não só ser lembrado, mas cultuado como grande foco de resistência aos holandeses”, afirma o coordenador do Laboratório de Arqueologia da UFPE, Marcos Albuquerque. “Foi nessa guerra que se falou pela primeira vez o nome de pátria no Brasil”.

Você pode acompanhar as escavações no site do Laboratório de Arqueologia da UFPE nas segundas, quartas e sextas-feiras.

15.4.09

Ilha do Retiro

"É diferente quando se está lá, sentindo esse suposto deus te esmagar em sua insignificância diante da dimensão dessas construções. Ou de comprovar a simetria entre a obra de Niemeyer com a inclinação do Pão de Açúcar.

É quase o mesmo de querer comparar a conquista de um campeonato assistido pela televisão com a emoção do estádio. No dia 11 de junho de 2008, meus olhos estavam na Ilha do Retiro e viram os gols de Carlinhos Bala e Luciano Henrique na final da Copa do Brasil contra o Corinthians, por um ângulo exclusivo, que nenhuma câmera de tevê captou.

Pode até não ter sido melhor que as imagens da Globo, mas a visão que eu tive da bola entrando, misturada com os braços erguidos e a transformação de expressões tensas em alívio, agradecimento e completa euforia, isso aí, ninguém pode colocar no YouTube".

www.vacatussa.com
Umbigocêntrico
Por Tiago Corrêa

7.4.09

Silêncio de inteligência


O Sítio da Trindade está sendo vasculhado por pesquisadores, que procuram relíquias arqueológicas numa das áreas verdes mais antigas da Zona Norte do Recife. O caminhão, que mais parece um daqueles usados na Fórmula 1, está estacionado no meio da pista de cooper, onde os freqüentadores todos podem observar o movimento.

Sou um cara calado com estranhos. Mas em um dos meus recentes percursos por ali não pude evitar de ouvir a discussão de umas senhoras da Academia da Cidade com uma das estudiosas. As velhinhas não se conformavam com a informação de que os estudos estavam sendo realizados para possibilitar a construção de um grande prédio.

Para mim, é um grande silêncio da inteligência. Só os insensíveis não vêem que a história daquele lugar leva a um agradável bucolismo. Os resquícios do Forte do Arraial do Bom Jesus devem realmente ser pesquisados e catalogados. Para que nossas crianças possam conhecer a nossa história, quem sabe em um museu criado naquele casarão que fica na entrada do parque.

Qual a importância daquelas jaqueiras? Elas sombrearam o Movimento Armorial. Para que manter uma sementeira em Casa Amarela? Para plantar nos nossos filhos o desejo de cuidar de nossas plantas e, assim, de nós mesmos. Por que não criar uma Refinaria Multicultural ali naquele lugar? Por que existem dezenas de outros disponíveis na Zona Norte. Respostas não faltam.

Andando cerca de 200 metros na Estrada do Arraial, o cidadão vai se deparar com as ruínas do antigo Centro Esportivo Banorte. Ao lado, um terreno baldio com um campo de futebol de várzea em estado de abandono. Em frente, o antigo América Futebol Clube, atualmente alugado por uma escola de Ensino Médio. Três áreas que poderiam ser facilmente desapropriadas pela Administração Municipal. Sugestões não faltam.

A gestão João da Costa começou criando uma polêmica desnecessária com os barraqueiros de Boa Viagem, ao retirar as cervejas em vasilhame de vidro (retornáveis) para criar mais lixo obrigando-os a utilizar as latinhas (de material reciclável hoje pouco valorizado). Agora, tenta reviver a polêmica do Parque Dona Lindu do outro lado da cidade.

Trabalhei na primeira gestão de João Paulo. Sei o quanto eles beneficiaram a Zona Sul do Recife. Me orgulho de ter atuado na Inversão do Trânsito de Boa Viagem. E sei que, desde aquela época, o corredor de transporte mais lento da Região Metropolitana do Recife é as avenidas Rui Barbosa e Rosa e Silva, que tinha há seis anos velocidade média entre 7 e 12 quilômetros por hora nos horários de pico.

O Metrô Zona Sul finalmente foi inaugurado. Dinheiro para a, também burra, Via Mangue parece não ser problema. Quando finalmente aparece um projeto para a Zona Norte vem para destruir uma rara e histórica área verde do nosso bairro. Espero que as nossas mulheres ainda tenham panelas para não deixar que esses holandeses tombem nossa sementeira.

A sementeira é do Sítio. A refinaria é de Casa Amarela.

2.4.09

Bonito

Quando fiz trinta anos, ao contrário da maioria, me sentia um cara com essa idade há muito tempo. Faz quase dez anos que tenho um filho e as responsabilidades de um pai. No trabalho eu sou a puta velha.

Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Jaboatão. Congresso Nacional, Souza Aguiar, Ilha do Retiro, Vila Palmares.

Talvez por isso minha primeira namorada depois dos 30 tenha sido uma menina de 19 anos. Muito fácil a gente fazer de conta que já viveu de tudo. Para quem não sabe interpretar o nosso papel.

Paris, Barcelona, Rio de Janeiro, São Paulo. Vinho, clara, chopp e mais chopp.

Mais pelas semelhanças do que pelas diferenças acabo me afastando rapidamente de pessoas muito queridas. Quase entendi isso no dia em que uma menina me mandou duas músicas de Amy Whinehouse para me dizer que não era feita para mim.

Nancy, Ilhabela, Pirinópolis, Porto de Galinhas. Felizmente, na minha vida sempre acho uma esquina nova.

13.3.09

TSE nega pedido do PT e mantém mandato do deputado federal Paulo Rubem Santiago


Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram nesta quinta-feira (12), por unanimidade, negar ao Partido dos Trabalhadores (PT) o pedido de perda do cargo do deputado federal Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), por suposta infidelidade partidária. O resultado se deu por unanimidade depois que o ministro Arnaldo Versiani, que apresentou nesta quinta-feira (12) seu voto-vista na matéria, julgou improcedente o pedido do PT e, logo em seguida, o relator, ministro Marcelo Ribeiro, reconsiderou seu voto, no qual julgava o pedido procedente.

Eleito pelo PT em outubro de 2006, Paulo Rubem migrou para o Partido Democrático Trabalhista (PDT) após desfiliação do PT ocorrida no dia 17 de setembro de 2007, data que, de acordo com a Resolução/TSE 22.610, leva à perda de mandato os parlamentares que troquem de partido sem justa causa.

Voto-vista

Ao trazer seu voto-vista na sessão desta noite, o ministro Arnaldo Versiani considerou que o deputado deixou o PT por justa causa. De acordo com o ministro, o partido deu causa ao rompimento da relação com o parlamentar. “Penso que efetivamente se configurou causa de rompimento da relação eleitor-partido-representante considerados os acontecimentos consistentes em alteração de linha política ideológica do PT”, salientou o ministro.

Ainda de acordo com o ministro, a migração ocorreu do choque da sua formação ideológica com os fatos ocorridos no âmbito do partido. “Não se pode negar que o deputado, durante esses anos, foi se tornando dissidente do novo alinhamento da legenda, entre as mais diversas questões políticas, o que, a meu ver, justifica a desfiliação”.

Em seguida, o relator, ministro Marcelo Ribeiro decidiu reconsiderar seu voto anterior, quando julgou pela procedência do pedido. Disse que houve uma “dissintonia” entre o parlamentar e o partido e que o ministro Arnaldo Versiani, em seu voto, deu inclusive enfoque a fatos significativos, como a punição que o deputado sofreu por ter votado contrariamente à reforma da Previdência proposta pelo governo.

“Essa questão é incontroversa. Todos sabemos que a posição do PT antigamente era contrária também a esse tipo de reforma. A verdade é que houve a modificação de pensamento do partido e o deputado não seguiu essa mudança”, afirmou o relator.

O pedido foi feito pelo PT em novembro de 2007. De acordo com a legenda, Paulo Rubem foi eleito deputado federal, em outubro de 2006, pelo Partido dos Trabalhadores em Pernambuco, mas migrou para o Partido Democrático Trabalhista (PDT), comunicando sua desfiliação à direção nacional do seu partido de origem em setembro de 2007, após a decisão do TSE de que os mandatos referentes a cargos proporcionais pertencem aos partidos políticos.

De acordo com o Diretório Nacional do PT, Paulo Rubem Santiago foi eleito deputado federal “pelo critério de média”, e sua desfiliação foi comunicada ao partido “por meio de documento que não consigna as razões para tanto”.

O parlamentar alegou ter sido vítima de grave discriminação pelo partido e citou como exemplo “penalidade estatutária que lhe foi imposta em decorrência de descumprimento de determinação colegiada quando da votação da Reforma da Previdência”.

Valeu Paulo!

Vivi de perto grande parte da tensão que foi o processo de cassação movido pelo PT contra Paulo Rubem Santiago. Ainda em Brasília, acompanhei toda a arrumação da defesa, os depoimentos marcantes de Eduardo Campos e Cristovam Buarque e o voto então pela cassação do ministro Marcelo Ribeiro.

Ontem à noite, recebi algumas ligações de amigos para comemorar a vitória do parlamentar. O Tribunal Superior Eleitoral considerou legítimos os argumentos dos advogados de defesa Luiz Belem e Andre Avila e, por 7X0, garantiu a continuidade do mandato de um dos mais atuantes representantes de Pernambuco na Câmara dos Deputados.

Mais que a vitória de Paulo Rubem, é uma vitória de quem acredita que pode existir representação popular sem comprometimento com as grandes coorporações. Quem acompanha a política em Pernambuco sabe muito bem que motivos não faltavam para a saída dele, que foi fundador do partido, do PT.

Os dois casos escolhidos pela defesa para ilustrar a argumentação são exemplos de uma prática de exclusão dos processos decisórios que Paulo enfrentou durante seus últimos anos de PT. Ele foi excluído da relatoria da Lei de Diretrizes Orçamentárias sem receber explicação alguma das lideranças partidárias em Brasília. E foi vítima de um processo de filiação em massa em Jaboatão para garantir a candidatura de André Campos para prefeito do Município.

Ganha Paulo Rubem. Vencem os seus eleitores que acreditam na força da sua voz. Se fortalece o povo de Jaboatão com seu único representante legítimo na Câmara dos Deputados. E, sobretudo, a sociedade brasileira respira aliviada com um sopro de esperança que o TSE nos dá de garantia da Justiça no País.

Agora afastado do mandato, por querer ajudar na reconstrução de Jaboatão e ficar próximo de minha família em Pernambuco, me sinto com um pouco mais de liberdade para comemorar a vitória no TSE. Me lembro do dia em que apresentei o deputado a meu filho, então com sete anos: "Esse sim é um Político com P maiúsculo", disse. Bem antes de pensar em vir trabalhar ao seu lado.

Espero que essa vitória tenha para Paulo a força de um sopro de renovação. Muita gente boa está ao seu lado deputado e esperamos que você continue lutando pelas causas em que acredita. De peito aberto, como sempre. Agora com o coração muito mais leve, porque está provado que o parto que foi a sua saída foi por uma causa justa.

Espero que sua representação seja agora muito mais rica para o bem de Jaboatão e de Pernambuco. Um grande abraço. De amigo e admirador.

Eduardo Amorim

10.2.09

Meu inimigo e eu

Meu livro preferido chamasse Cozinha Confidencial. Estou com a resposta preparada para aqueles pingue-pongues ridículos. Livro de cabeceira... Leio de vez em quando um dos capítulos e me lembro de trechos que me marcaram de vez em quando.

Quando Anthony Bourdain estava se recuperando da fase crítica do vício em heroína, ele tem uma oportunidade em um restaurante da máfia italiana de Nova Iorque. O diálogo é bem interessante.

O dono do negócio chama ele e diz que recebeu algumas ligações anônimas. "Dizem que você é traficante e pratica pequenos furtos". Uma coisa assim. O cara acha que vai se fuder de vez. Era a oportunidade que ele não podia perder.

Responde que não sabe de onde pode ter surgido a história. E ouve uma coisa que acho tipicamente italiana. O dono do restaurante diz apenas que é um bom sinal, que o chefe está ficando importante, porque agora ele tem pelo menos um inimigo.

Pois é. De um ano para cá, várias amigas têm tido problemas com mensagens e e-mails me detonando. Alguns namorados ficaram putos com essa história. Fora o perigo que eu corro com esse tipo de informação distorcida, fico puto porque o cara me trata como se não tivesse nada contra mim.

Bem, uma virgindade a menos.

(É, eu sei quem é e o trato normalmente. Até já falei sobre isso com a namorada dele, mas parece que não deu resultados)

16.12.08

Box Guararapes - Sala 5


Não tinha ido ainda no cinema 3-D. O único filme que me atraiu tinha sido Viagem ao Centro da Terra e Chico tinha ido assistir em São Paulo. Mas por pura insistência do meu filho resolvi ir assistir ao único filme infantil que ele não tinha visto: Os mosconautas no mundo da lua.

Julio tinha me falado mal da história e eu tinha evitado por algumas semanas. O enredo é super simples e ainda acaba com um desmentido, "por uma questão científica infectadores não estiveram na lua". Mas tem uma inocência que me agradou, deve ser ótimo para crianças mais novas do que as que levei.

Chico e Caio curtiram mais os efeitos especiais mesmo. Como eu. O filme foi claramente roteirizado pensando nas sensações que as imagens iriam causar em quem assiste usando os oclinhos (que, vamos admitir, incomodam um pouco). Vale a pena demais ver as mosquinhas dançando na falta de gravidade e o gordinho curtindo tomar suco de laranja espalhado pelo ar de uma nave espacial.

Fiquei com vontade de ir ver o filme de terror que está passando de noite (Scar) e olhe que o último de que gostei foi O massacre da Serra Elétrica, há uns 15 anos.

19.11.08

Psicologia reversa

Um amigo me fala que vou representar a humanidade na capa de um livro de Antropologia. Claro que eu sabia que isso não daria certo. Fui logo para o meu lado masoquista. Deveria ter fugido dele, mas no dia seguinte estava fazendo uma foto que denigre minha imagem mais do que qualquer outra coisa que tenha feito na minha vida.

Para a maquiadora expliquei que depois daquilo teria obrigatoriamente de emagrecer;

Para o assistente do fotógrafo disse que estava fazendo apenas para ter uma desculpa para raspar o cabelo;

Luiz Santos me jurou de pés juntos que eu ficaria irreconhecível;

Para mim, foi apenas mais um episódio interessante de auto-conhecimento.

É claro que tenho essa tendência a gostar de escrachar. Mas podia ser em coisas que me engrandecessem e não nas que mais me incomodam. Como a gordura. Quem não gosta de mim, pode ficar sabendo que isso me incomoda realmente. Engraçado que minha namorada mais recente adorava minha barriga, para extremo incômodo meu. Não era aquele papo para fazer feliz um gordinho. Era tesão mesmo! Vai entender?

Qual o lucro em posar nu em uma posição extremamente incômoda, que além de agigantar minha barriga, me fazia tremer sem parar? Bem, pelo menos estou comendo mais salada. E foi engraçada minha conversa com a maquiadora naquela situação esdrúchula. Se eu tenho orgulho próprio naquela situação é prova de que realmente não tenho mais o que amadurecer.

A verdade é que enquanto estiver com o cabelo raspado vou ter um motivo bem interessante para lembrar de fazer regime. E até agora ainda consegui não ver essa foto.

11.11.08

Dinner is ready!


Faz uns dez anos que eu entrei na Vila Romana e comprei três paletós e um blazer. Lembro pra caramba o quanto minha ex-mulher e o pai dela tiraram onda da minha cara. Como é que eu iria usar toda aquela formalidade, se sempre me vesti muito bem de bermuda e havaianas.

Na época justifiquei lembrando que aproveitei uma ótima promoção, que deixou tudo com o preço do meu melhor conjunto italiano (por sinal, recentemente aposentado, após nove anos de guarda-roupa e 12 meses de uso constante).

Ou seja, hoje, possuo um paletó preto, um grafite (presente do meu irmão mais novo), um bege e o meu blazer branco. Exatamente o que eu aconselharia para alguém que estivesse indo trabalhar no Congresso Nacional.

Não sei se o gosto pelo trabalho naquele ambiente hostil era anterior ao dia que passei na Vila Romana, só sei que o prazer de trabalhar ali e a segurança que me vestir bem me dá são proporcionalmente inversos à gréia de que fui alvo naquela noite.

Sempre me imaginei repórter de Política. E não tem outro lugar no Brasil onde a gente possa exercer esse ofício com mais destaque. Os caras mais artistas do Jornalismo me vêem como esse cara, que gosta do lado duro da coisa.

É tipo na cozinha. Não gosto de fazer o enfeite da lagosta que vai levar o dip de chutney. Deixo isso para quem gosta do fru-fru. Prefiro o arroz de polvo. O pernil de carneiro. Ou mesmo um bom e saboroso churrasco.

Cortar e limpar um belo pedaço de carne é minha parte preferida na preparação de um jantar. Assim como conviver e me sair bem no trabalho em meio aos políticos mais profissionais desse País. Já estou contando as horas para voltar para Brasília.

É claro que tem o dia que você pega um frango congelado para desossar. Mas por enquanto só estou pensando no pernil fresquinho que comprei na feira de Menilmontant. E na minha matéria da próxima segunda.

30.10.08

Vicky Cristina Barcelona

Nunca vi um Woody Allen tão abertamente comercial. O filme que assisti na abertura do Festival Internacional de Cinema de Brasília é cheio das cores de Barcelona, de mulheres bonitas e um homem poderoso e de belas cenas de romance entre os personagens interpretados por Javier Bardem, Rebecca Hall, Scarlett Johannson e Penélope Cruz.


Quando subiram os créditos, as meninas que estavam comigo resumiam tudo na frase "um cara desses eu não tinha problema de dividir". É, o filme trata do velho sonho de poder estar abertamente com duas pessoas ao mesmo tempo. Recém separado, o artista ainda mostra as dores de um amor mal resolvido. Mas tem o poder de atrair todo o amparo sexual que três mulheres lindas podem lhe proporcionar.
Daquele jeito é até fácil esquecer um grande amor. O cara mora na cidade mais linda do mundo e com os olhos esbugalhados consegue ir seduzindo as suas presas e depois convidando-as para entrar em seu mundo particular de sentimentos ainda não resolvidos. Ele diz a uma de suas amantes: "minha ex-mulher era perfeita, mas faltava alguma coisa em nosso relacionamento" e daqui a pouco a personagem de Scarllet Johanson já está encarando a tarefa de se tornar o vértice que completou o triângulo. Pena para ele que se perfeição existe não é eterna.
Entra no hall de filmes perfeitos para esquentar um casamento ou para garantir uma boa noite de sexo para os solteiros. Mas, honestamente, ninguém espere a densidade dos conflitos psicológicos de outros clássicos de Woody Allen. Com a idade a gente vai precisando simplificar a vida e os nossos trabalhos também. Não deixe de ir ver bem acompanhado.
Interessante como os filmes só mostram triângulos sexuais/amorosos entre duas mulheres e um homem. Vou escrever alguma coisa sobre uma mulher e dois homens qualquer dia desses. Tempos modernos, nem tanto. É o que Woody Allen me mostra.

27.10.08

Before Sunrise

Das minhas cenas preferidas no cinema é o momento em que Ethan Hawke volta e convence Julie Delpy a descer do trem em Vienna e passar um dia juntos, antes dele voltar para os Estados Unidos, em Before Sunrise.

Tinha visto o filme nos Estados Unidos e me lembrava desse momento. Ontem assisti de novo.
O filme é a comédia romântica original para mim. Os diálogos têm um jeito de não levar muito a sério o romance dos dois.
Acabei comprando o DVD.

13.9.08

What about cocaine?

Quando eu morava nos Estados Unidos achava que todo mundo que tinha algo de bom fumava maconha. Não que todo maconheiro fosse gente boa, mas que para entrar nos classificáveis tinha que gostar pelo menos um pouco da coisa.


A coisa radicalizada como era em Wisconsyn começou a quebrar um pouco essa minha viagem. Lá, o povo era tão dividido entre os caretas e os doideiras que eu comecei a gostar de não ser nenhuma coisa nem outra. Também contou ter levado um pé na bunda de uma linda, loura e viciada saxofonista.


Passei anos tentando aprender a gostar de fumar. Até admitir que odeio fumaça e aquilo só me causa sono e fome. De uns tempos para cá, vi as pessoas que convivem comigo passarem a cheirar pó. Testei e vi que aquilo sim é uma droga que encaixa comigo. Por isso mesmo, decidi parar de primeira.

Tenho uma relação interessante com drogas. Testei quase tudo. Mas tenho família para cuidar e não vou me submeter ao submundo. Ao mesmo tempo, porque não aceitar um romântico presente de uma paquera de domingo de Carnaval? Um dos presentes mais carinhosos que recebi foi uma pastilha de ectasy.

Finalmente percebi que eu estava errado. Não existe aquela história de que maconha não vicia. Eu sempre ouvi isso calado, porque o fumo só me dá menos vontade de fumar cada vez que tenho contato. Só que sei que enquanto busco no meu dia-a-dia ficar mais ligado, tem gente que vai encontrar no THC a maneira de abrir a imaginação. E acaba psiquicamente dependente.

A sensação de poder que a cocaína causa é realmente uma coisa que ambiciono. Mas só acho que se entrar fico mais longe ainda de conseguir aquele tipo de comportamente por mim mesmo. Sou careta mesmo, não tem jeito.

Ps: Cocaína ficou barato ou esse povo todinho tá roubando?

27.7.08

Restaurant Week


Eu fui e devo admitir: gostei. Adoro essa frescura de entrada, prato principal e sobremesa. Por mim ainda tinha a sessão dos queijos. Por um preço razoável, melhor ainda. Mas a grande descoberta da semana foi aqui do lado do trabalho.

No último livro de Anthony Bourdain (Maus Bocados) um conto fala de um restaurante em Nova Iorque onde se pode comer os mais tradicionais pratos da old school francesa. Eu adorei descobrir um PF que tem uma galinha de cabidela feito eu não comia há séculos. O arrumadinho. A rabada ainda não encarei, pesada demais, mas parece estar no mesmo nível.

Uma esperiência prazerosa tem sido ir almoçar no boteco aqui do lado do trabalho. E fiquei dando mais valor à idéia de Fernando e Marta. Só preciso achar uma mangueira com uma sombra bem gostosa. Pode ser jambeiro também. Um restaurante com esse cardápio e com uma apresentação interessante realmente falta em Recife.

Por enquanto, fico feliz em chamar os amigos para um jantar lá em casa. E de abandonar o Shopping Guararapes de vez. A verdade é que Praça de Alimentação é a pior idéia que se pode ter para o almoço. Acho que estou com fome.

14.7.08

Distância e outros sentimentos


Recebi a mensagem numa segunda-feira de manhã. Desses dias que a gente acorda disposto a fazer as coisas diferente. Fui correr no Sítio da Trindade, depois de fazer um café reforçado. Passei na casa do meu filho, enchi o pneu da bicicleta dele e deixei uns morangos de Gravatá. Nem deu para dizer a ele que era para depois ele saber se o de São Paulo ainda é melhor do que o daqui. O pirralho passou a noite com febre e estava dormindo, sexta vai para a casa da vó, curtir essas férias de meio do ano.

Quando cheguei aqui em Jaboatão, recebo a mensagem no e-mail.

"Queridos amigos,
Sempre pensamos que as distâncias foram feitas para serem diminuídas e gostamos de pensar que somos compostos por todas aquelas pessoas que cruzamos alguma vez. Ao lado da praia e quando o sol se retire, desejamos estar com vocês nesta noite um pouco mais especial.
Um abraço
Nuria e João"

Fiquei aqui com os olhos cheios de lágrimas. Num sentimento de felicidade e saudade simultâneo. Outra vez, um outro João, me chamou para ser padrinho do casamento dele e eu não pude ir. Nesse 26 de julho, novamente não vou poder estar com essas duas pessoas tão queridas. Tive a chance pelo menos de conhecer eles dois na intimidade de Lisboa, quando o namoro era só um foguinho gostoso.

Fico feliz por ele ter me lembrado que naqueles dias tão felizes regados a vinho português disse a ele que aquela mulher tinha a cara dele. É um casal bonito pra caralho! Não é todo dia que a gente encontra uma catalã que sobe as ladeiras de Olinda e parece que é só mais uma pessoa se divertindo naquele Carnaval. O cara olha para a pele branca e pensa, é gringa. Vê ela fazendo graça e fica com certeza, é nada.

João meu querido. Pode ter certeza que nesse dia 26 estarei tomando um vinho português e outro espanhol e de entrada uma cachacinha que é para não desmerecer, pensando em vocês com muito carinho.

Da próxima vez que nos encontrarmos estarão casados. Com um pouco de sorte, espero vê-los com o mesmo fogo de namorados que estão sempre se surpreendendo com novas facetas de um e do outro.

Beijos

Dado

19.6.08

Caminhar é preciso


Saudades do gordinho que comandava o trânsito no Recife. Lembro que quando ainda trabalhava na CTTU alguém me disse que a única maneira de se fazer um corredor de ônibus na Conde da Boa Vista era proibir o tráfego de veículos comuns. E ponto. Duas faixas para cada lado. Não precisava de grandes obras. Era, naquela época, só coragem e decisão política.

Ontem, como faço quase todos os dias, desci na Conde da Boa Vista às 18h30. Saí da Rua da Aurora e fui ultrapassando os ônibus. Fiquei pensando que iria na mesma velocidade. Engano. Fui ultrapassando todos eles. Quando passei pela Riachuello vi um ônibus que servia para mim (Alto Santa Isabel). Passei e continuei ganhando distância. Na Católica ainda pensei em subir em um Casa Amarela-Nova Torre.

Resultado, meia-hora depois parei na última parada da Conde da Boa Vista. Esperei um pouco e peguei o Alto Santa Isabel que tinha visto pouco depois da antiga Mesbla. Perguntei à cobradora e ela me disse que tinha levado uma hora para fazer o percurso da Rua da Aurora até ali. Considerando que tenha andado a quatro quilômetros por hora, seriam dois quilômetros de distância (ou seja, o ônibus fez uma velocidade média de 2km/h).

Putz, algum candidato a prefeito por favor contrate um engenheiro de trânsito para fazer esses cálculos. Na minha época de Prefeitura a pior velocidade média do Recife era no corredor Rosa e Silva-Rui Barbosa. Era algo entre 9 e 13km/h nos horários de pico. Ou seja, a grande obra desse ano foi atrasar a vida das pessoas. A Prefeitura conseguiu criar o que é, disparado, o corredor de tráfego mais lento do Estado. Depois de um investimento milionário, claro!!!

Isso aqui é só um desabafo. Vou comprar um carro logo. Mas vou continuar com certeza de que Ivan Carlos Cunha estava certo. Não se pode brincar com o trânsito. É cálculo. Coragem. Decisão. Lembro dele chateado porque João Paulo teve medo de ver o fracasso da Inversão de Trânsito de Boa Viagem. Foi um sucesso!

Por sinal, às vésperas da eleição, Boa Viagem também está um caos por conta da obra do corredor de ônibus da Domingos Ferreira. Esse momento eu não entendi. Mas a obra parece ser importante. Os engenheiros de trânsito com quem convivi na CTTU tinham diversas discussões sobre a melhor maneira de realizar, mas todos eram a favor da obra em BV.

16.6.08

O candidato salada


Em Gravatá faz sucesso o Bar da Salada. Com uma bela vista do Agreste pernambucano, o local ficou famoso pela picanha no ponto e por outras especialidades de churrasco. O proprietário, no entanto, faz questão de servir uma bela porção de verduras orgânicas para os seus clientes. No almoço deste domingo, fiquei notando como a maioria dos freqüentadores deixava absolutamente intactos a rúcula, alface, palmito, mini-milho e até mesmo as lascas de queijos branco e do reino.

Poucos pernambucanos aprenderam a deixar de lado aquela insossa, e tradicional nas nossas mesas, salada de tomate, alface e cebola. Quando têm uma oportunidade de aproveitar uma comida bem diferente, com molho especial e vários saborosos e coloridos ingredientes, mantém o preconceito.

Essa imagem me trouxe à mente a pífia atuação nas pesquisas até o momento do candidato do PMDB em Recife. Raul Henry tem praticamente todas as credenciais políticas para ser um dos mais fortes pretendentes a vitória na capital pernambucana. Tem apoio dos senadores Sergio Guerra e Jarbas Vasconcelos, vasta experiência no Executivo e um perfil extremamente leve. Para mim, está nesse ponto o dilema.

Os recifenses ainda não entraram no momento político que pode favorecer Fernando Gabeira no Rio de Janeiro e Soninha em São Paulo. Candidatos ligados ao setor cultural, com alguma ligação aos movimentos sociais (ecológico, gay, de mulheres...), que se apresentam como possíveis surpresas nos dois maiores municípios do País.

Por aqui, ainda reinam absolutos conceitos como o de votar em quem vai ganhar. Sem falar na prática da cooptação de lideranças por benefícios (muitas vezes empregos) diretos das gestões públicas ou da compra de votos, travestida ou não de pagamento para que os eleitores façam campanha.

Raul Henry, de quem ouvi com muita satisfação um relato indignado sobre o nível de falsidade da política em Brasília, pode até partir para a rasteirice das acusações mal fundamentadas e da compra de votos. Características normais das nossas eleições. Mas seria interessante e educativo ter um candidato que fizesse um papel diferente da buchada, rabada e mão de vaca da nossa política tradicional.

O outro Raul, por sinal, tentou fazer esse papel nas eleições passadas, mas não tem as mesmas credenciais. Seu estilo falastrão é o inverso disso. Em Brasília, disputa com Silvio Costa o posto de bobo da corte pernambucana. E sua passagem pelo Governo Fernando Henrique Cardoso lhe deixou como bagagem alguns processos que lhe deixam vulnerável. Qualquer sopro desmonta aquele papo todo de ética.

5.6.08

DO BLOG DO JUCA

Achei interessante esse artigo do Blog do Juca. Mas...

A gente tem sempre que notar que tendemos a nos achar, como pernambucanos, no marco inicial do Universo.

Os conflitos que aconteceram na Ilha do Retiro e nos Aflitos acontecem em outros estados, nem por isso se deve incentivar.

O incentivo à hostilidade com os visitantes, do lado do Sport, vem desde quando o time foi a Brasília enfrentar o Brasiliense.

Percebi isso quando estava fazendo a cobertura.

O Typhis Pernambucano
Por Roberto Vieira

De repente, Pernambuco se tornou a Argentina dos anos 60.
Wanderley Luxemburgo diz que tem medo de jogar no Recife. Abel Braga exclama sobre a nossa prostituição. O presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, Rubens Lopes, deseja retirar os jogos do nosso estado. Rubens Lopes, que assistiu o conflito no jogo Náutico x Botafogo ali perto. Na Austrália. Tudo curiosamente depois das derrotas dos seus clubes.

Tudo no dia 2 de junho. Dia em que se completam 184 anos da Confederação do Equador.

O futebol brasileiro foi tomado por uma aura de santidade nunca vista. Jamais houve quebra-pau entre PM e torcida em Porto Alegre. Na Batalha dos Aflitos, os jogadores do Grêmio não chutaram o árbitro. A PM de São Paulo não evitou um desastre no jogo Corinthians e River Plate quando os torcedores ameaçaram invadir o campo. São Januário não presenciou cenas dantescas na partida entre Vasco e Sport.

O Maracanã nunca foi invadido. Nunca teve mortos na quebra de grades de proteção. Nunca antes na história deste país um estádio assistiu a confusões entre jogadores e polícia.
O Brasil não tem prostitutas.
O Brasil não tem marginais.
O Brasil não tem violência.
O Brasil não tem desigualdade social.
O Brasil é um oásis de felicidade e desenvolvimento na América Latina.

Exceto por uma chaga. Exceto por uma ovelha negra. Exceto por uma pústula:
O Estado de Pernambuco. O resto do Brasil esqueceu. Pois a amnésia é abundante nesta terra que tudo dá. Mas Pernambuco não se rende. Nunca se rendeu.

Nem em 1817. Nem em 1824. Nem hoje.

As manobras que tecem nos bastidores do futebol brasileiro são mesquinhas. São injustas. São fratricidas. O Estado de Pernambuco é muito maior que as calúnias de Wanderley Luxemburgo, Abel Braga, Bebeto de Freitas e Rubens Lopes.

Muito maior que um jogo de futebol. Pernambuco é mais que um estado. É um sentimento. Uma saudade. E o nosso amor por Pernambuco não está à venda. Não tem preço.

Mesmo nesse tempo de trevas esportivas. Tempos em que cabe recordar os versos de Camões que constavam do jornal Typhis Pernambucano, editado por Frei Caneca: "Uma nuvem que os ares escurece sobre nossas cabeças aparece."

27.5.08

Cada um tem a Argenteuil que merece

Monet, Museu D`Orsay

26.5.08

Poço da Panela

Mais um aeroporto

Janela do meu apartamento, olhando para o Sítio da Trindade.

Esse post é só para dizer que volto para Recife sexta.

Nada como da vez que deixei o Rio com o coração em prantos. A maior pena de deixar de ser repórter, mas com certeza de estar tomando a decisão certa. Enchi o saco de perder as estréias dos filmes infantis com Chico. Agora mesmo, ele já marcou de ir assistir Indiana Jones e eu vou acabar sem desculpa para ver Harrison Ford. Já basta a dificuldade de arranjar paquerinhas desencanadas que gostem de comédia romântica, para ter desculpa de ir assistir esse tipo de filme.

Sábado completo trinta e daqui a dez dias espero ir para à Ilha do Retiro assistir a primeira partida da final da Copa do Brasil. Então, é um bom momento para voltar. Já mandei recado para Marcio Markman guardar minha vaga na pelada e vou aprender a jogar fut-vôlei (acredite quem quiser!), só falta descobrir uma galera para voltar a jogar basquete. Com sorte, e muito esforço, ainda faço seleção de Mestrado em 2008.

21.5.08

São paulinos, gremistas... Todos rubro-negros desde criancinha

Por Eduardo Amorim , de Brasília (publicado no www.arquibancada.blog.br e no blog da Revista Algo Mais)

Assisti ao jogo do Sport contra o Internacional realizado na Ilha do Retiro em um bar ocupado por duas torcidas. Uma maioria de são-paulinos e um grande número de colorados dividia o Bar dos Cunhados, na Asa Norte de Brasília. Um pequeno grupo de três ou quatro pernambucanos se reuniu em uma mesa e contava com apoio de alguns gremistas enquanto o time pernambucano empatava a partida. Quando veio o segundo gol e especialmente depois da bomba de Durval a torcida são-paulina, que assistia ao jogo de seu time pela Libertadores em uma outra televisão, se juntou automaticamente aos torcedores do Leão.

No último fim de semana tive uma noção melhor do quanto o Sport está, na Copa do Brasil, se tornando o segundo time de uma grande quantidade de torcedores espalhados pelo País. Visitando Pirenópolis, cidade do volante Sandro Goiano (foto acima), tive a maior surpresa com a quantidade de goianos que vinham falar da campanha que o Sport está fazendo na Copa do Brasil. Eles acompanham atentamente a trajetória do Sport desde a primeira goleada sobre o Brasiliense e, especialmente, depois das boas vitórias sobre o Palmeiras e o Inter.

Quem é de Pirenópolis aproveitou para torcer por um de seus mais famosos cidadãos: Sandro "Maromba". Era assim que o volante rubro-negro era conhecido em sua cidade natal. O apelido vem do time que defendia o Maromba, um dos mais vitoriosos no torneio Municipal. Deste time de várzea saíram oito profissionais, segundo as contas do agente de turismo Tilapa, companheiro do profissional e de seus dois irmãos nos tempos de amadorismo. A maioria dos jogadores, segundo os pirenopolenses, tem o mesmo estilo bruto do jogador rubro-negro.Tilapa jura que Sandro Goiano ainda pode dar muito mais do que tem apresentado nas últimas partidas. É o que a torcida pernambucana espera. E, quem sabe, também os flamenguistas e outros cariocas que rezam por uma derrota vascaína e, assim como os são paulinos, ficarão bastante agradecidos por uma vitória rubro-negra sobre seu rival local. Passando para a final, sendo Botafogo ou Corinthians o adversário, o Sport vai contar novamente com o apoio de todos os outros torcedores cariocas ou paulistas e de muita gente espalhada por todo o Brasil. Ainda mais, porque terá derrotado o Palmeiras (em caso de enfrentar o Corinthians) ou o Vasco (no caso de pegar o Botafogo).

A partida desta quarta na Ilha é fundamental para a disputa por essa vaga na final, mas o time tem que estar bem preparado no setor defensivo. Leandro Amaral e Edmundo estão voltando à boa fase no ataque vascaíno. Uma pena não contarmos com Luciano Henrique no meio-de-campo, pois é um jogador que cumpre as funções de marcação e criação. Os volantes são grandes e ajudarão nas jogadas de cabeça, mas a zaga precisa estar atenta às tabelas dos dois atacantes do Vasco.

15.5.08

Trabalhar de ressaca de vez em quando é bom

Lula: "Sport realmente está arrasador"

Presidente afirmou que só não quer que equipe pernambucana ultrapasse o Corinthians

Eduardo Amorim
Agência Nordeste

BRASÍLIA - Torcedor do Corinthians, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que espera que o Sport continue bem na Copa do Brasil, mas não ultrapasse o seu time de coração. Ele se referia às vitórias do time pernambucano por 4X1 sobre o Palmeiras e 3X1, ontem, diante do Internacional. Agora, os rubro-negros enfrentam o Vasco pelas semi-finais da Copa do Brasil e podem ter na final um confronto com o time paulista, que terá como adversário o Botafogo. Falando para uma platéia de 20 integrantes de um projeto social realizado no Coque, comunidade do Recife, Lula brincou "o Sport realmente está arrasador na Ilha do Retiro. Só espero que não vença o Corinthians". Depois ele explicou: "A maioria de vocês deve ser de torcedores do Sport, mas eu sou do Náutico". A reação foi de muita alegria dos 20 meninos e meninas da Orquestra Criança Cidadã de Meninos do Coque, que se apresentaram hoje no Palácio do Planalto, em uma iniciativa do ministro José Mucio (Relações Institucionais), que fez questão de mostrar ao mais influente pernambucano um exemplo de projeto social bem sucedido financiado por empresas públicas (Chesf).

22.4.08

Do PE Body Count




João Valadares (texto), Renato Spencer (a foto da piscina) e Rodrigo Lobo (a outra imagem)
A lente do repórter fotográfico Rodrigo Lobo (JCimagem) flagrou, na manhã de hoje, a desesperança. O desdém de crianças acostumadas com o absurdo. Indiferença resumida numa frase. "Estamos acostumadas." Costume. Não há com o que se espantar. É natural desprezar o corriqueiro. O problema é que o corriqueiro é o absurdo. É uma cena já vista várias vezes. Criança gosta de novidade. Faz sentido o que a menina de 11 anos me disse. "Estamos acostumadas". Ainda estou ruminando esta frase.

Pois é. Pernambuco se acostumou com essa doença chamada homicídio. São 9, 10, 11 todos os dias. Mortos da mesma forma. Na frente de todos, numa quadra de futebol, por exemplo.
Chegamos ao Coque, área central da cidade, às 10h30. Desci do carro primeiro do que Rodrigo e me deparei com a indiferença coletiva. Voltei para avisá-lo e ele já estava fotografando.

Sentadas na quadra de futebol da Rua João Paulo II, três meninas (12, 11 e 10 anos) conversavam alegremente. Ao lado, o cadáver de Edvan Clemente Barreto da Silva, 18 anos. Edvan nasceu no Coque e cresceu assistindo às mesmas cenas. Ontem, levou um tiro na cabeça e interrompeu por algumas horas a partida de futebol. No local, contei 27 crianças. Acho que havia bem mais. Algumas brincavam, outras olhavam atentamente para o corpo. Mas não havia espanto. Nenhuma gota de importância no olhar.

Depois de observar por uns 20 minutos a conversa das garotas, resolvi me aproximar. Perguntei sobre o que elas conversavam. Ficaram envergonhadas e não responderam. Perguntei porque elas estavam lá. "A gente gosta de ficar aqui na quadra."

E cadê a mãe de vocês? "Tá lá na frente. " As crianças só prestaram mais atenção quando os peritos do IML retiraram o lençol que cobria o cadáver. Muitas se aproximaram para observar os detalhes. Um menino de uns 10 anos fez o sinal da cruz quando percebeu o buraco na cabeça de Edvan. Duas mães com bebês nos braços chegaram mais perto também. Mesmo com o corpo descoberto, vários meninos continuaram o que estavam fazendo.

É isso. As nossas crianças estão acostumadas. São as melhores amigas do absurdo.

17.4.08

A gente fuma ou denuncia? Tinha que fazer essa piada!

MST encontra roça de maconha em fazenda ocupada

Movimento acredita que cultivo da droga explica violência com que foi recebido

Eduardo Amorim
Agência Nordeste

BRASÍLIA - Na manhã de hoje, trabalhadores rurais Sem Terra encontraram uma roça de maconha na fazenda Passarinho, em Lagoa Grande, Sertão de Pernambuco. Os trabalhadores, que estão acampados em uma área ao lado da fazenda, estavam buscando água quando encontraram a plantação de maconha. Segundo a assessoria do MST em Brasília, a Secretaria de Defesa Social já foi informada do fato e são aguardados representantes da Polícia Civil e Militar no local.

Para a direção do MST, isso explica a violência com que os trabalhadores Sem Terra foram recebidos quando ocuparam a fazenda, na última segunda-feira. Segundo relatos, logo depois da ocupação oito homens armados e encapuzados invadiram o acampamento ameaçando atirar e agredindo fisicamente diversos Sem Terra. As 150 famílias que ocupavam a área foram expulsas pelos pistoleiros e montaram acampamento em uma área ao lado da fazenda, enquanto aguardam que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) faça a vistoria da fazenda.

O MST espera que a polícia prenda imediatamente os responsáveis pela plantação e os pistoleiros que agrediram os Sem Terra. Espera-se também que o Incra faça a vistoria imediata da área, já que, segundo a legislação brasileira, áreas com plantio de drogas devem ser desapropriadas para fins de Reforma Agrária.

15.4.08

My blueberry nights


Catarina,

Roubei um beijo e fui ao cinema.
Para te acariciar, troquei teu nome por um beija-flor.
Um passarinho veio lá do Sul.
Conhecer no forró um peixe lá do meu mar.
Encontro voado, dançado, cerrado.
Rapidinho e molhado.

Quando eu era criança achava que o mundo todo girava em torno de mim. Gostava de imaginar uma brincadeira em que todos já sabiam qual seria o resultado do jogo de domingo, interpretavam apenas para conhecer minhas reações. Cresci, pelo menos em tamanho, e continuo com a mente infantil (e fértil).

Vi primeiro o nome do filme. Um beijo roubado. Poxa, poucos títulos me agradam tanto. Gosto da simplicidade, ainda mais porque resume um prazer sensual. Antes do pôr do sol ou Antes do amanhecer, querem imaginar o depois. Prefiro o estalo. O gostinho de sorvete derretido na boca de uma mulher linda.

Putz, aquele sorvete molenga só me faz lembrar de você. Pena que não tive nem a chance da sobremesa. Na real, fiquei apenas na cervejinha. Mas teimo em melar tua boca de tinto e voltar a te beijar. Longamente. E decorar o teu gosto. Vontade de descobrir teu sorriso. E ela nem me disse tchau.

Ainda bem.

Try a little tenderness é o tema. O cara é cozinheiro. Ela escreve: cartões postais. Ele faz a minha sobremesa de sonho de valsa. Não? É torta de blueberry. Água de beber de Nova Iorque. Um lugar antiquado, completamente maravilhoso.

A fotografia.

Digna do meu silêncio.

Dois empregos para solucionar o problema da insônia. Acho que conheço esse enredo. Coincidências. Também adoro viajar. Acho que no fim das contas estamos todos longe das nossas casas. Vai ver é isso. Saudade do que não vivi.

Te encontro.

Espero.

Vejam o filme. Hollywood. Com todas as qualidades que isso pode ter. Saudade de todas as mulheres do mundo. Uma querida me disse que minha mulher ideal é sempre a próxima. Acho que ela nem me conhece tanto assim. Mas com você isso só pode ser verdade.

O melhor filme de todos os tempos das últimas duas horas. Tá, antes de ver, eu preparei o cenário. O meu. Depois de assistir me deslumbrei com a imagem que ficou. A dela. Simples. Como um beijo na boca. De deixar a gente de cabeça para baixo.

Quero te levar no meu sobradinho, para ver o bloco passar. Um beijo. Melhor, dois.






8.4.08

Foto do Congresso

Voltei ontem andando do Ministério da Integração Nacional. Quando estava passando por esse ângulo da foto ai ao lado deu uma sensação de que aquele lugar era mesmo importante. Me lembrei de Gabeira, que vinha de bicicleta trabalhar e pensei que os parlamentares deviam andar de vez em quando para o trabalho para sentir o sopro da vida comum.

Foi dai que resolvi colorir um pouquinho de novo meu blog. Olinda, Jaboatão, Brasília, Poço da Panela e a primeira pichação de Chico (ele queria fazer o nome dele, mas eu dei uma orientada para não causar uma briga familiar. Tá ligado que tem um grande H?)